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04 de setembro, 2005 - 17h27 GMT (14h27 Brasília)

Egito impede observadores em eleição presidencial

A comissão eleitoral que vai acompanhar a eleição presidencial no Egito disse ser inadmissível que grupos independentes possam monitorar a votação.

Em entrevista à BBC, o chefe da comissão eleitoral, Osama Attawiyah, afirmou que os únicos que poderão entrar nos postos eleitorais serão os juízes que irão supervisionar a eleição, os candidatos e seus representantes.

A decisão aumentou os temores de que a primeira eleição presidencial multi-partidária na história do Egito possa ser fraudada para favorecer o atual presidente do país, Hosni Mubarak.

Mubarak, que está no poder há 24 anos, concorre a um novo mandato, de seis anos e é o franco favorito para vencer o pleito. Este domingo foi o último dia de campanha.

Veto

No sábado, o Judiciário do Egito havia derrubado um veto da Comissão Eleitoral do país, que impedia organizações não-governamentais de monitorar a votação.

Mas Osama Attawiyah afirmou que o veto iria continuar em vigor.

Além de ONGs estarem impedidas de acompanhar a votação, não foi permitido a observadores internacionais monitorar o pleito.

Segundo o analista da BBC no Cairo, Magdi Abdelhadi, apesar de os egípcios acreditarem esta é uma eleição de cartas marcadas, os 18 dias de campanha geraram um clima de intensas discussões sobre os diversos problemas sociais e econômicos do país.

De acordo com Abdelhadi, por conta disso, pela primeira vez o foco da atenção da população local passou para os problemas domésticos do país, em detrimento dos problemas geo-políticos da região, como o conflito árabe-israelense e a violência no Iraque.

Segundo o analista, Mubarak terá de oferecer respostas em relação a temas como desemprego, corrupção e a má qualidade dos serviços públicos do país.

A bem conduzida campanha de Mubarak frisou a sua experiência e a estabilidade que ele trouxe ao Egito, em meio a uma região turbulenta.