02 de setembro, 2005 - 10h37 GMT (07h37 Brasília)
Uma delegação de sobreviventes e parentes das vítimas do cerco à escola de Beslan deve se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin, nesta sexta-feira, na capital do país, Moscou.
O encontro acontece um ano após o cerco realizado por militantes chechenos que terminou com a morte de 331 pessoas, incluindo 186 crianças.
A pequena cidade de Beslan, na região russa de Nova Ossétia, está realizando três dias de luto oficial para lembrar da tragédia.
Muitos em Beslan acreditam que a maioria das vítimas foi morta por forças russas que romperam o cerco.
Revolta
Outra crítica é que Putin se recusou a negociar com os seqüestradores, que exigiam a retirada das tropas russas da Chechênia.
O comitê formado por mães que perderam seus filhos vinha requisitando o encontro com Putin há meses.
Correspondentes dizem que a população de Beslan exige saber como tantos homens armados conseguiram entrar na escola, porque as autoridades se recusaram a negociar e quem foi o responsável pelo desfecho sangrento da situação.
"O governo tem a obrigação de assegurar nosso bem-estar e eles não fizeram isso", diz a líder do grupo, Susanna Dudiyeva.
Ela era mãe de um garoto de 13 anos morto no cerco. Dudiyeva disse que Putin não seria bem-vindo nas cerimônias de Beslan "já que ele foi responsável pelo ocorrido".
"Não tenho medo de encontrar Putin. Ele é quem deve temer", disse ela à agência de notícias Associated Press.
A decisão de aceitar o convite do governo, entretanto, dividiu a cidade de Beslan, dizem correspondentes.
Há revolta pelo fato do convite acontecer ao mesmo tempo em que a cidade lembra seus mortos.