28 de agosto, 2005 - 22h10 GMT (19h10 Brasília)
O presidente americano George W. Bush elogiou neste domingo o final dos trabalhos para a criação da nova Constituição iraquiana e minimizou a decisão dos líderes muçulmanos sunitas de boicotar o documento.
"Obviamente existem divergências. Estamos assistindo o desenrolar de um processo político", disse ele.
"Alguns sunitas mostraram reservas sobre alguns pontos da Constituição. Esse é um direito deles como cidadãos livres vivendo em uma sociedade livre."
A comunidade sunita tem de fato poder de vetar a Constituição quando o texto for submetido a um referendo em meados de outubro.
Discórdia
Negociadores sunitas pediram a intervenção da ONU (Organização das Nações Unidas) e da Liga Árabe para resolver a disputa.
"Declaramos que não aceitamos e rejeitamos os artigos mencionados no texto e que não atingimos um consenso, tornando o documento ilegítimo", disse um comunicado sunita.
Os principais de pontos de oposição sunita são a cassação dos direitos políticos de ex-integrantes do partido Baath, de Saddam Hussein (partido que governou o país entre 1969 e 2003) e a proposta de federalizar o país.
A minoria sunita teme que uma maior autonomia para os curdos no norte e para os xiitas no sul pode comprometer sua parcela nos rendimentos obtidos com a extração de petróleo.
Otimismo
Para que a Constituição seja ratificada, ela precisa ser aprovada pela maioria do eleitorado e não pode ser rejeitada por dois terços ou mais dos eleitores em pelo menos três províncias.
Os sunitas são a grande maioria do eleitorado em pelo menos quatro das 18 províncias iraquianas.
Muitos comentaristas temem que se a Constituição for rejeitada, o país pode se tornar ainda mais instável, abrindo um vácuo político que pode ser preenchido pela insurgência predominantemente sunita.
O presidente interino do Iraque, Jalal Talabani, pediu para que os iraquianos ratifiquem o documento, dizendo que "exceto o Corão, não existe livro perfeito".
"Esperamos que a Constituição seja aceita por todos os iraquianos. Estamos otimistas."