27 de agosto, 2005 - 11h30 GMT (08h30 Brasília)
O presidente do Parlamento iraquiano, Hajim al-Hassani, anunciou em uma entrevista coletiva na manhã de sábado que o texto da nova Constituição do país será submetido à votação no domingo independentemente da posição dos representantes sunitas, que rejeitam o texto.
Al-Hassani afirmou que os grupos xiita e curdo chegaram a um acordo sobre as propostas feitas a eles pelos sunitas e enviaram uma contra-proposta, atendendo a algumas das exigências, e esperavam uma resposta dos líderes sunitas.
Os xiitas e curdos, que são a maioria absoluta no Parlamento, aceitaram o adiamento da implementação do federalismo, rejeitado pelos sunitas, mas insistem em fazer referência a ele na Constituição.
As perspectivas de um acordo final pareciam remotas. O negociador-chefe sunita, Saleh al-Mutlaq, rejeitou o novo texto e o classificou como perigoso para o Iraque.
Al-Mutlaq criticou a forma de divisão dos recursos petrolíferos e aquíferos e disse que isso levaria à divisão do país.
O impasse nas discussões sobre a Constituição já levou o Parlamento iraquiano a perder três prazos para sua finalização nas últimas duas semanas. A conclusão da nova Carta é considerada pelas autoridades iraquianas e americanas como essencial para garantir a estabilidade no país no longo prazo.
Libertação
As forças americanas no Iraque anunciaram no sábado a libertação de cerca de mil prisioneiros, a pedido do governo iraquiano, da prisão de Abu Ghraib, em Bagdá. Esta foi a maior libertação de prisioneiros desde o início da guerra, em 2003.
Segundo o correspondente da BBC em Bagdá Jonathan Charles, a libertação dos prisioneiros pode ser interpretada como um gesto de boa vontade das autoridades para tentar criar uma “atmosfera apropriada” para tirar do impasse as negociações sobre a nova Constituição.
Segundo o comando militar americano, os prisioneiros foram libertados entre os dias 24 e 27 de agosto e representam diferentes comunidades iraquianas, não somente sunitas.
De acordo com o comunicado, os prisioneiros libertados não eram acusados de crimes graves como ataques a bomba, assassinato, tortura ou seqüestro e renunciaram à violência.
A prisão de Abu Ghraib ganhou notoriedade no ano passado por ser o palco dos maus-tratos a prisioneiros iraquianos por parte de soldados americanos revelados em imagens divulgadas pela imprensa.