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27 de agosto, 2005 - 05h40 GMT (02h40 Brasília)

'Bush será culpado se acontecer algo comigo', diz Chávez

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que o presidente americano George W. Bush será culpado no caso de "alguma coisa" acontecer com ele.

"Se alguma coisa acontecer comigo, o responsável será George W. Bush. Ele seria o assassino", afirmou Chávez, que já acusou várias vezes o governo americano de conspirar para derrubá-lo do poder.

O líder venezuelano fez a declaração em meio a uma polêmica criada pelo teleevangélico Pat Robertson, que defendeu que ele fosse assassinado por agentes secretos americanos durante um programa de TV.

O Departamento de Defesa procurou se distanciar dos comentários de Robertson, classificando-os de "inapropriados".

Chávez, no entanto, disse que Robertson fala pela "elite que governa os Estados Undos".

Pedido de desculpas

O evangélico chegou a dizer que era melhor matar Chávez do que lançar uma guerra para derrubá-lo, mas se desculpou dias depois, dizendo reconhecer que "não é certo" defender o assassinato.

Ainda nesta sexta-feira, o reverendo Ted Haggard, presidente da Associação Nacional dos Evangélicos dos Estados Unidos, disse que está tentando obter um encontro com Chávez para deixar claro que a entidade não concorda com Robertson.

Haggard disse que quer se assegurar de que os missionários evangélicos americanos poderão trabalhar em segurança na Venezuela.

O governo venezuelano suspendeu as licenças de missionários estrangeiros no país.

A polêmica começou na segunda-feira, quando Robertson disse no programa The 700 Club que seria preferível matar Chávez a lançar uma guerra de US$ 200 bilhões para derrubá-lo, em referência ao que foi feito no Iraque.

A declaração de Robertson levou o governo americano a dizer que não tinha intenção de matar Chávez.

O teleevangélico que já foi candidato à Presidência fez o pedido de desculpas por meio do seu site na internet.

"Ditador fora de controle"

Em um período de tensas relações entre os Estados Unidos e a Venezuela, o secretário de Defesa Donald Rumsfeld fez questão de deixar claro que assassinar Chávez não faz parte dos planos americanos.

"O nosso departamento não faz esse tipo de coisa. É contra a lei", afirmou Rumsfeld, na terça-feira.

Apesar do pedido de desculpas, Robertson se refere a Chávez na nota publicada no seu site como "um ditador fora de controle", que tem uma causa comum com "terroristas", está supostamente buscando obter tecnologia nuclear do Irã e "pretende financiar a derrubada violenta de governos eleitos democraticamente na América do Sul, começando pela vizinha Colômbia".

Conhecido partidário de Bush, Robertson já havia causado polêmica com ataques a gays, muçulmanos e outros grupos.