26 de agosto, 2005 - 19h14 GMT (16h14 Brasília)
Negociadores xiitas que participam da formulação da nova Constituição do Iraque dizem ter apresentado nesta sexta-feira suas propostas finais para os representantes sunitas que participam da redação do documento.
Eles dizem ter feito concessões em áreas como o federalismo e sobre a proibição de cargos públicos para ex-membros do partido Baath, de Saddam Hussein, e afirmaram também que não irão alterar mais suas posições.
A dificuldade de entendimento entre os grupos xiitas, sunitas e curdos horas antes do prazo final estabelecido para que as partes cheguem a um acordo sobre a Carta levaram o presidente americano, George W. Bush, a intervir pessoalmente esta semana em busca de um acordo.
Bush contatou por telefone na quarta-feira o líder xiita Abdulaziz al-Hakim e pediu a ele maior flexibilidade em alguns pontos polêmicos do projeto que são rejeitados pela minoria sunita.
A Casa Branca confirmou o telefonema, mas não deu detalhes sobre o teor da conversa.
Autonomia
Políticos xiitas disseram que Bush pediu concessões em temas como o federalismo e a proibição aos ex-membros do partido Baath – exatamente os assuntos em que os xiitas dizem agora ter flexibilizado suas posições.
Os negociadores xiitas se recusavam a aprovar um texto que prevê que o Iraque se torne uma federação, como pedem os xiitas e curdos. Esses grupos querem ter autonomia de controle, respectivamente, no sul e norte do país.
Jawad al-Maliki, que faz parte da delegação xiita nas discussões, disse que houve avanços nessa questão do federalismo, mas que os sunitas têm defendido com rigor os direitos dos ex-integrantes do Baath.
Ainda há temas a serem solucionados, e alguns negociadores já dizem que as respostas das delegações serão apresentadas no sábado, após o prazo desta sexta-feira.
Pró-Saddam
Milhares de pessoas participaram de protestos nesta sexta-feira na cidade de Baquba contra a proposta de Constituição e a favor do ex-presidente Saddam Hussein.
Manifestantes exibiram imagens de Saddam, que encontra-se preso, e cantaram slogans de apoio ao partido Baath, que governava o país até a invasão comandada pelos Estados Unidos, em 2003.
O projeto de Constituição prevê a proibição das atividades do Baath.
Cinco pessoas ficaram feridas depois que a polícia disparou para o alto para dispersar a multidão que seguia em direção à sede do governo de Baquba, segundo a agência de notícias EFE.
Poço de petróleo
Baquba é uma das cidades que fazem parte do chamado “triângulo sunita”, onde é forte a oposição à nova ordem instalada no país desde a invasão americana e na qual é poder político é controlado por grupos xiitas.
Centenas de sunitas também saíram às ruas de Kirkuk, cidade rica em petróleo que a minoria curda pretende incluir em uma região autônoma no norte iraquiano.
Negociadores sunitas têm resistido à inclusão, na Constituição, de artigos que transformam o Iraque em uma federação.
Insurgentes realizaram um ataque nesta sexta-feira contra um poço de petróleo em Kirkuk.
As chamas resultantes do ataque ameaçam interromper os trabalhos do poço, que extrai entre 7 mil e 10 mil barris por dia e alimenta um oleoduto que chega até a Turquia.