24 de agosto, 2005 - 11h39 GMT (08h39 Brasília)
Imagens feitas por satélite divulgadas pela ONU e divulgadas em conferência no Japão nesta quarta-feira sugerem que uma porção de 40% da área de pântanos do Iraque drenada durante o regime do presidente deposto Saddam Hussein apresenta recuperação.
O Japão doou US$ 11 mihões para um projeto da ONU para ajudar a recuperação da área, cujo progresso foi descrito como "fenomenal" pelo Programa Ambiental da organização.
A ONU disse, contudo, que deverá levar muitos anos para restaurar a área toda a sua condição original.
A área, que tinha quase 9 mil quilômetros quadrados e era conhecida como Pântano da Mesopotâmia, fica perto da confluência dos rios Tigre e Eufrates, e foi alvo de programas de drenagem pela primeira vez na década de 50.
Mas ela ficou mais ameaçada em 1991, quando Saddam Hussein começou a construir uma extensa rede de diques e canais para retirar a água, punindo a população local por “atos de rebelião”.
Imagens de satélite mostraram que em 2002 a região alagada estava reduzida a apenas 760 quilômetros quadrados, e cerca de 70 mil de seus moradores foram forçados a ir para acampamentos de refugiados no Irã.
"A destruição quase total do pântano iraquiano no regime de Saddam Hussein foi uma grande catástrofe ecológica e humana, roubando dos árabes do pântano uma cultura e um estilo de vida de séculos, assim como seu alimento na forma de peixes e, de maneira mais crucial, de recursos naturais como água potável", de acordo com declaração do diretor-executivo do Programa Ambiental da ONU, Klaus Toepfer.
Chizuru Aoki, coordenador do projeto no Iraque, disse que os moradores da área começaram a romper diques assim que o regime de Saddam acabou, em abril de 2003.
Segundo Aoki, a incidência de neve e chuvas naquele ano também contribuiu para uma recuperação rápida.
Mas um alto representante do Ministério de Recursos Hídricos do Iraque, Hassan Janabi, disse que não está claro se a restauração dos pântanos pode ser mantida sem a cooperação dos países cujos rios correm para o território iraquiano.
Represas na Turquia, Síria e Irã também reduzem o volume de água que corre para os rios Tigre e Eufrates.