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24 de agosto, 2005 - 12h34 GMT (09h34 Brasília)

Grã-Bretanha vai deportar quem 'encorajar terrorismo'

A Grã-Bretanha vai deportar do país ou impedir o ingresso em território britânico de quem fomentar, justificar ou glorificar a prática de "terrorismo" e alimentar ódio que pode levar a violência entre as diversas comunidades do país, de acordo com declaração divulgada pelo ministro da Justiça do país, Charles Clarke, nesta quarta-feira.

Clarke elaborou uma lista do que é considerado "comportamento inaceitável" por parte de quem ameaçar a ordem pública, a segurança nacional ou o estado de direito, depois dos atentados a bomba do dia 7 de julho em Londres que mataram 52 pessoas.

Como parte de uma ampla gama de medidas para combater "pregadores de intolerância e ódio", será organizado ainda um banco de dados de radicais nascidos no exterior acusados de encorajar atos de "terrorismo".

O banco de dados global incluirá os que enfrentam veto automático antes de ter permissão para ingressar na Grã-Bretanha.

De acordo com Clarke, "as regras do jogo" mudaram depois dos ataques à capital britânica.

O ministro ordenou uma revisão imediata de seus poderes para excluir e deportar pessoas, dizendo que quer garantir que qualquer cidadão que não seja britânico e seja suspeito de incitar "terrorismo" seja deportado sumariamente.

O "comportamento inaceitável" pode vir através de pregação, publicação de websites e artigos com a intenção de fomentar "terrorismo".

Artigos já publicados, sermões e discursos já feitos também serão cobertos pelas novas medidas.

Vários clérigos islâmicos correm o risco de ser enquadrados nas novas medidas.

Menos de uma semana depois que o controvertido clérigo Omar Bakri Mohammed deixou a Grã-Bretanha e seguiu para o Líbano, Clarke anunciou que ele não poderia retornar ao país.

Outros que podem estar sob escritínio pelas novas regras é Mohammed Al-Massari, o dissidente saudita cujo website publicou imagens de ataques a tropas britânicas no Iraque.

Grupos de defesa das liberdades civis se mostram contra as medidas e temem que possíveis deportados possam ser torturados em seus países de origem.