23 de agosto, 2005 - 14h25 GMT (11h25 Brasília)
Israel anunciou na tarde desta terça-feira a evacuação total dos últimos dois assentamentos judeus da Cisjordânia que faziam parte do plano de retirada do premiê Ariel Sharon.
Ao contrário das expectativas, os soldados e policiais que participavam da operação encontraram pouca resistência nas colônias de Sanur e Homesh.
Nas outras duas colônias da região que faziam parte do plano de retirada – Ganim e Kadim –, os moradores já haviam saído voluntariamente.
Muitos colonos nas pequenas comunidades de Sanur e Homesh também concordaram em sair pacificamente, mas alguns deles, encorajados por ativistas judeus contrários à retirada, tentaram impôr alguma resistência.
Em Sanur, manifestantes tomaram posições dentro de um velho forte, e a polícia teve que arrombar uma porta de ferro para entrar.
Uma grua foi utilizada para elevar contêineres com soldados até o telhado do forte, onde os manifestantes estavam concentrados.
Na colônia vizinha de Homesh, as tropas utilizaram escadas para chegar ao topo de uma escola religiosa e retirar os últimos manifestantes. Eles foram colocados na pá de uma escavadeira, que os baixou ao chão.
Faixa de Gaza
A operação de evacuação de todos os 8,5 mil moradores judeus de 21 assentamentos da Faixa de Gaza foi encerrada na segunda-feira, com o fechamento de assentamentos em Netzarim, no que foi a primeira retirada voluntária de Israel de terras ocupadas na guerra de 1967.
Após a retirada de Gaza, o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, falaram-se pelo telefone pela primeira vez em dois meses.
Segundo informações divulgadas pelo gabinete de Sharon, foi Abbas quem fez o telefonema para dizer que esperava que a saída israelense abrisse uma nova fase nas relações de israelenses e palestinos.
O presidente dos EUA, George W. Bush, disse após o final da retirada que espera a retomada do plano de paz internacional que prevê o estabelecimento de um Estado palestino ao lado de Israel.
"Minha visão e minha esperança é que um dia veremos dois Estados – dois Estados democráticos – vivendo lado a lado”, disse ele.