23 de agosto, 2005 - 05h05 GMT (02h05 Brasília)
Milhares de soldados israelenses entraram na Cisjordânia nesta terça-feira para retirar colonos que resistem a deixar dois assentamentos judaicos estabelecidos no território palestino.
Depois de completar o processo de evacuação da Faixa de Gaza, as tropas estão agora nos assentamentos de Homesh e Sanur, duas de um total de quatro colônias a serem esvaziadas na Cisjordânia.
Os dois assentamentos ficam em uma área conhecida pelos judeus pelo nome bíblico de Samaria.
Após a retirada de Gaza, o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, falaram-se pelo telefone pela primeira vez em dois meses.
Segundo informações divulgadas pelo gabinete de Sharon, foi Abbas quem fez o telefonema para dizer que esperava que a saída israelense abrisse uma nova fase nas relações israelo-palestinas.
"Passo histórico"
Cerca de 8,5 mil colonos foram retirados de 21 assentamentos da Faixa de Gaza, no que foi a primeira retirada voluntária de Israel de terras ocupadas na guerra de 1967.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, qualificou a retirada como um "passo histórico".
O último assentamento a ser esvaziado em Gaza foi o de Netzarim, de onde os colonos saíram com pequena ou nenhuma resistência.
Informações divulgadas pela mídia israelense indicam que alguns colonos na Cisjordânia podem recorrer à violência para resistir à retirada.
De acordo com esses relatos, um grupo de colonos estaria munido de armas automáticas e granadas.
O Exército israelense, por sua vez, diz que pode usar tropas armadas para retirar os colonos – o que seria uma mudança de política em relação ao que foi feito em Gaza, onde os soldados entraram desarmados.
O correspondente da BBC Matthew Price, que está no assentamento de Sanur, diz, no entanto, que colonos entregaram as suas armas e prometeram resistir à retirada de forma firme, mas sem violência.
O primeiro-ministro israelense, responsável pelo plano de retirada, visitou algumas das tropas envolvidas na operação de retirada e elogiou o seu trabalho.
Ariel Sharon também enalteceu a forma como os colonos lidaram com a situação, que ele caracterizou como "muito difícil e dolorosa".
A demolição das casas nos assentamentos vazios de Gaza já começou. Quando todas as construções estiverem destruídas, o que deverá levar semanas, e as instalações militares israelenses desativadas, a Autoridade Palestina assumirá responsabilidade por Gaza.
Ao mesmo tempo em que abre mão de Gaza, Sharon deixa claro que não pretende sair da Cisjordânia.
Em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal The Jerusalem Post, o primeiro-ministro prometeu continuar as construções de casas nos demais assentamentos do território.
Segundo Sharon, o bloco de assentamentos de Ariel, o maior da Cisjordânia, permanecerá “parte de Israel para sempre, conectado territorialmente a Israel”. Ele afirmou ainda que não haverá “um segundo plano de retirada”.
Na semana passada, líderes árabes elogiaram a retirada de Gaza, mas afirmaram que ela teria que ser seguida também pela retirada da Cisjordânia para permitir uma paz duradoura entre palestinos e Israel.
O grupo militante palestino Hamas também prometeu continuar sua campanha armada contra Israel depois da retirada de Gaza, com o objetivo de forçar a retirada israelense completa da Cisjordânia e de Jerusalém.
"Gaza não é a Palestina", disse um porta-voz do braço armado do Hamas em uma entrevista coletiva na Cidade de Gaza."Quanto a Jerusalém e à Cisjordânia, nós vamos tentar libertá-las pela resistência, bem como a Faixa de Gaza foi liberada", disse ele.