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23 de agosto, 2005 - 08h29 GMT (05h29 Brasília)

Iraque debaterá Constituição por mais três dias

Políticos iraquianos que negociam a formulação de uma nova Constituição para o país receberam nesta terça-feira um prazo de mais três dias para chegar a um acordo sobre a Carta.

Os parlamentares iraquianos se reuniram para um breve sessão pouco antes do prazo recebido para submeter o esboço do texto para o legislativo do país, meia-noite, hora local (17 horas, horário de Brasília), mas não votaram a matéria.

Durante negociações, na segunda-feira, representantes da comunidade xiita disseram que haviam concordado em um texto com seus colegas curdos, mas os árabes sunitas protestaram.

Segundo os sunitas, o documento poderia levar a uma divisão do Iraque.

Os curdos se mostraram contrários à imposição de um texto, sem a aprovação sunita.

Apesar deste ser o segundo adiamento do prazo final para um acordo - a proposta de Constituição deveria ter sido apresentada na semana passada -, o governo dos Estados Unidos saudou "mais um passo" no trabalho em direção à Constituição.

"O progresso feito na última semana foi impressionante", disse nota oficial da Casa Branca, acrescentando que democracia é "difícil e freqüentemente lenta, mas leva a acordos duradouros".

O ministro do Exterior do Iraque, Hoshyar Zebari, disse que é importante não impor um acordo aos sunitas e minimizou as divergências ainda existentes entre os grupos.

Federalismo

Representantes sunitas manifestaram preocupação que a adoção de federalismo possa levar à criação de uma área xiita autônoma no sul do Iraque, como o norte curdo, mas sob a esfera de influência iraniana.

Os sunitas temem que uma maior autonomia curda no norte e xiita no sul possam colocar em risco a sua parcela de receita destas regiões ricas em petróleo.

Grupos políticos xiitas e curdos têm uma maioria no Parlamento suficiente para aprovar um esboço de Constituição sem o apoio dos parlamentares sunitas, mas correspondentes dizem que isto causaria danos políticos.

Representantes americanos dizem que a demora na aprovação de uma nova Carta para o país pode ajudar os insurgentes, que mataram dez pessoas na capital, Bagdá, na segunda-feira.

Oito policiais morreram quando o microonibus em que viajavam foi crivado de balas no norte da cidade.

Além da possível adoção de um federalismo, outros pontos importantes que causam controvérsia nas negociações para a nova Constituição são a forma de divisão da renda com o petróleo e a relação entre o Estado e a religião.

Um esboço de Constituição deve ser alvo de um referendo em outubro. Se aprovado, haverá uma nova eleição para escolher um novo Parlamento, o que está previsto para dezembro.