22 de agosto, 2005 - 09h51 GMT (06h51 Brasília)
O Iraque suspendeu nesta segunda-feira suas exportações de petróleo produzido no sul do país por causa de um grande apagão.
As primeiras informações são de que a interrupção do fornecimento de energia foi causada por um ato de sabotagem na infraestrutura geradora de eletricidade na região central do país.
Laith Kubba , um porta-voz do governo, disse que os reparos já foram iniciados.
A maior parte das exportações de petróleo do Iraque é feita através de dois terminais no sul do país – em Basra e Khor Al-Amaya.
As exportações dos campos petrolíferos vêm sendo interrompidas regularmente por ataques nos oleodutos.
Constituição
A exportação de petróleo é um dos pontos controvertidos entre sunitas, xiitas e curdos do Iraque que tentam chegar a um acordo sobre a Constituição do país, cujo prazo para apresentação ao Parlamento vence nesta segunda-feira.
Representantes da comissão que redige o documento estudam a possibilidade de adiar o prazo novamente, por mais uma semana, ou até mesmo dissolver o Parlamento.
O prazo inicial venceu na última segunda-feira, mas foi estendido por causa do impasse.
Outros pontos que têm gerado polêmica são o federalismo e o papel do Islã no país.
"Se o texto não for entregue à Assembléia Nacional até o prazo, uma das opções é estendê-lo novamente", disse o porta-voz Leith Kubba.
"Ou... a Assembléia Nacional é dissolvida e o governo passa a ocupar um mandato tampão."
Como não parece haver apetite para novas eleições tão cedo no país, a solução mais provável é que o prazo seja estendido mais uma vez.
Os Estados Unidos lideram a campanha para que a Constituição seja concluída, considerando a carta mais um passo para a estabilização do Iraque.
Mas enquanto as negociações continuam, um dos líderes sunitas que ajudam a elaborar o documento acusou os Estados Unidos de pressionar o Iraque.
"Os americanos querem que a Constituição seja apresentada dentro do prazo, mas os iraquianos sabem que ela não está pronta", disse Saleh Mutlak.
As divergências entre os três principais grupos estão diminuindo, mas não o suficiente para que eles cheguem a um acordo sobre a redação final do texto.
Os sunitas continuam rejeitando a proposta de maior autonomia para os curdos no norte do país, ou para os xiitas, no sul, temendo que ela afete sua participação nos lucros com a exploração do petróleo nas regiões.
O rascunho da Constituição preparado pela comissão seria submetido à aprovação em um referendo marcado para outubro.
Se for aprovado, serão realizadas novas eleições - provavelmente em dezembro – para um novo Parlamento que cumpriria seu mandato já sob os termos da Carta.