22 de agosto, 2005 - 08h14 GMT (05h14 Brasília)
Israel conclui a retirada de colonos judeus na Faixa de Gaza nesta segunda-feira, com uma operação no assentamento de Netazarim.
A ação encerra a retirada dos 21 assentamentos e 8,5 mil colonos de Gaza.
Como parte desse processo, os israelenses vão demolir as casas dos colonos, deixando apenas edifícios públicos de pé.
Representantes israelenses disseram que até agora a operação na Faixa de Gaza tem sido rápida e bem-sucedida.
Com o fim das operações em Gaza, a atenção se volta para a Cisjordânia, onde soldados e polícia se preparam para desmantelar mais dois assentamentos na terça-feira – Sanur e Homesh.
A maioria dos moradores já teria deixado a área, mas estima-se que 2 mil ativistas contra a demolição dos assentamentos tentem resistir.
Fogo
No domingo, depois da pausa para o sabbath (o dia de descanso judaico), os soldados retomaram as operações de retirada também em todos os assentamentos que restavam.
Colonos no assentamento de Katif atearam fogo a pneus e fardos de feno colocados nos portões do assentamento, para tentar impedir a entrada dos soldados.
As forças isralenses, porém, fizeram a remoção de colonos que se recusavam a deixar a região.
O líder palestino, Mahmoud Abbas, já anunciou seus planos para a Faixa de Gaza, incluindo a construção de milhares de casas em conjuntos populares.
Forças de segurança palestinas já cercaram a região para impedir que palestinos invadam as áreas dos assentamentos antes do tempo.
Abbas disse também que o assentamento de Netzarim fará, eventualmente, parte de um porto para a Faixa de Gaza, e prometeu construir milhares de casas em Morag.
Ele apresentou o plano para o território em um discurso para estudantes de uma escola na Cidade de Gaza.
Toda a terra e os bens deixados pelos colonos serão administrados pela Autoridade Palestina nas semanas após a retirada, disse ele.
Abbas também prometeu que os pedidos individuais de lotes de terra serão decididos de maneira justa, pelos tribunais.
A Faixa de Gaza é uma das áreas mais densamente povoadas do planeta e a terra desocupada pelos colonos será bem-vinda pelos palestinos.
Mas Abbas tem que assegurar uma transição tranqüila após a retirada, para que o processo de reocupação comece.
O líder palestino já formou um comitê conjunto para assegurar a cooperação das várias facções políticas do território.
O grupo militante palestino Hamas, no entanto, prometeu continuar sua campanha armada contra Israel depois da retirada.
"Gaza não é a Palestina", disse um porta-voz do braço armado do Hamas em uma entrevista coletiva na Cidade de Gaza.
O grupo afirmou que vai manter o cessar-fogo durante a retirada, mas o porta-voz anunciou "resistência" no futuro.
"Quanto a Jerusalém e à Cisjordânia, nós vamos tentar libertá-las pela resistência, bem como a Faixa de Gaza foi liberada", disse ele.