22 de agosto, 2005 - 08h45 GMT (05h45 Brasília)
Manifestantes na região amazônica do Equador, que é rica em petróleo, concordaram em estabelecer uma trégua com o governo depois de dias de protesto que prejudicaram a produção de combustível país.
No final do domingo, uma delegação dos manifestantes chegou à capital do país, Quito, para negociar com o governo e deve iniciar as conversas nesta segunda-feira.
Os manifestantes querem que parte dos recursos obtidos com o petróleo equatoriano seja investida na região, na criação de empregos e infra-estrutura.
Após a trégua, o Exército retomou o controle de instalações petrolíferas e aeroportos que haviam sido ocupados durante os protestos.
A Venezuela concordou em fornecer petróleo para o Equador até que a sua própria produção se estabilize.
"Nós vamos ajudar o Equador", disse o presidente venezuelano Hugo Chávez. "Eles não terão que pagar um centavo."
"Resultados"
O governo do Equador decretou estado de emergência na quarta-feira, depois de quatro dias de protestos em Sucumbios e Orellana.
O prefeito de uma cidade na região petroleira de Sucumbios disse que acredita que a estatal Petroecuador está disposta a atender alguns de seus pedidos.
"O mais importante é que esta e as companhias privadas de ptetróleo que operam na área construam estradas e façam mais para reverter os danos ambientais que provocaram", disse Edmundo Espindola.
A Petroecuador disse que está retomando aos poucos a produção de petróleo bruto, suspensa durante a quinta e sexta-feiras da semana passada.
O governo equatoriano disse que enfrenta uma "emergência econômica" como resultado da paralisação, que provocou um aumento no preço do petróleo.
As autoridades estimam que a produção não retornará a seu nível normal até novembro.
Segundo correspondentes, os distúrbios no país foram os piores enfrentados pelo presidente Alfredo Palacio desde que ele assumiu o poder em abril.
Nem todos os setores da sociedade equatoriana se beneficiam igualmente da receita obtida com o petróleo.
Boa parte dos recursos acabam sendo dirigidos para regiões centrais do país e beneficiando a elite descendente dos colonizadores espanhóis.
Os recursos obtidos com a venda de petróleo representam cerca de 25% do PIB (Produto Interno Bruto) do Equador.