21 de agosto, 2005 - 21h00 GMT (18h00 Brasília)
Israel já começou a demolir as casas em quatro assentamentos israelenses na faixa de Gaza.
Escavadeiras destruíam os telhados vermelhos e as paredes brancas das casas dos colonos nos assentamentos de Nissanit, Dugit, Peat Sadeh e Ganei Tal.
Neste domingo, depois da pausa para o Sabbath, os soldados retomaram as operações de retirada também em todos os assentamentos que restavam.
Colonos no assentamento de Katif atearam fogo a pneus e fardos de feno colocados nos portões do assentamento, para tentar impedir a entrada dos soldados.
Dos 21 assentamentos da região, todos já foram evacuados, exceto Netzarim.
As forças isralenses fizeram a remoção de colonos que se recusavam a deixar a região seguindo o plano do primeiro-ministro Ariel Sharon.
Autoridades do Exército afirmaram que esperam completar a retirada total na terça-feira, várias semanas à frente do que havia sido programado.
A próxima fase da retirada envolve a demolição de todas as casas de colonos e sinagogas antes que a região seja devolvida para os palestinos.
O líder palestino, Mahmoud Abbas, já anunciou seus planos para a Faixa de Gaza, incluindo a construção de milhares de casas em conjuntos populares.
Forças de segurança palestinas já cercaram a região para impedir que palestinos invadam o local antes do tempo.
Porto
Abbas disse que o assentamento de Netzarim fará, eventualmente, parte de um porto para a Faixa de Gaza, e prometeu construir milhares de casas em Morag.
Abbas apresentou o plano para o território em um discurso para estudantes de uma escola na Cidade de Gaza.
Toda a terra e os bens deixados pelos colonos serão administrados pela Autoridade Palestina nas semanas após a retirada, disse ele.
Abbas também prometeu que os pedidos individuais de lotes de terra serão decididos de maneira justa, pelos tribunais.
A Faixa de Gaza é uma das áreas mais densamente populadas do planeta e a terra desocupada pelos colonos será bem-vinda pelos palestinos.
Mas Abbas tem que assegurar uma transição tranqüila após a retirada, para que o processo de reocupação comece.
O líder palestino já formou um comitê conjunto para assegurar a cooperação das várias facções políticas do território.
Mas, o grupo militante palestino Hamas prometeu continuar sua campanha armada contra Israel depois da retirada.
"Gaza não é a Palestina", disse um porta-voz do braço armado do Hamas em uma entrevista coletiva na Cidade de Gaza.
O grupo afirmou que vai manter o cessar-fogo durante a retirada, mas o porta-voz anunciou "resistência" no futuro.
"Quanto a Jerusalém e à Cisjordânia, nós vamos tentar libertá-las pela resistência, bem como a Faixa de Gaza foi liberada", disse ele.