15 de agosto, 2005 - 13h33 GMT (10h33 Brasília)
Investigadores que analisam a queda de um Boeing 737 da companhia cipriota Helios acreditam que as 121 pessoas a bordo podem ter morrido antes de o avião ter se chocado com uma montanha perto de Atenas, na Grécia, neste domingo.
Segundo a agência de notícias Reuters, um representante do Ministério da Defesa da Grécia disse que a maioria dos corpos resgatados estavam congelados.
Os investigadores examinam a hipótese de que as vítimas tenham morrido em razão de uma falha no ar condicionado ou despressurização na cabine a cerca de dez mil metros de altitude.
O acidente teria exposto os passageiros e a tripulação a temperaturas de até 50 graus abaixo de zero, provocando desmaios em menos de um minuto por falta de oxigênio.
Quase todas as vítimas eram gregas ou cipriotas, à exceção do piloto alemão e uma família de quatro armênios.
Caixas-pretas
Os investigadores já encontraram as duas caixas-pretas.
Pilotos dos caças F-16 gregos que acompanharam o avião até sua queda disseram ter visto duas pessoas - não está claro se eram membros da tripulação ou passageiros - tentando controlar a aeronave antes do acidente.
Os pilotos militares afirmaram que, ao se aproximarem do avião de passageiros, viram o co-piloto caído sobre os comandos da aeronave, aparentemente inconsciente.
Eles não avistaram o piloto na cabine e confirmaram que as máscaras de oxigênio que se soltam do teto da aeronave em caso de despressurização haviam sido ativadas.
Depois disso, o Boeing se chocou com uma montanha e se partiu em várias partes.
"Pessoas na cabine"
“Nossos pilotos viram duas pessoas na cabine (…) aparentemente tentando controlar (a aeronave)”, disse o porta-voz do governo grego Theodore Roussopoulos.
Desde os primeiros momentos após o acidente, o governo grego minimizou a possibilidade de um atentado.
![]() Parentes dos passageiros esperavam por notícias em Chipre |
Eles teriam tempo de colocar suas máscaras de oxigênio, o que aparentemente não fizeram.
Ao menos uma autoridade grega apresentou a tese de uma rápida despressurização como explicação para o desastre.
No entanto, especialistas acreditam que outros fatores devem ter contribuído para a queda.
O motivo é que, pelo menos em teoria, uma queda abrupta da pressão da cabine não deixaria os pilotos imediatamente inabilitados.
Uma segunda versão envolveria um problema no sistema de ar condicionado da aeronave.
O piloto teria mencionado um problema no sistema antes de perder contato, ainda segundo autoridades gregas.
Nesse caso, uma falha poderia ter expelido gases dentro do avião que levaram à perda de consciência dos pilotos antes que eles pudessem perceber o problema.
Mensagem de texto
Segundo um canal de televisão grego, uma mensagem de texto enviada por uma pessoa que estava no avião dizia que o piloto tinha desmaiado e que os passageiros estavam morrendo de frio.
De acordo com o canal, outro passageiro enviou uma mensagem para o primo dizendo que o rosto do piloto estava azul e que a temperatura dentro da aeronave tinha caído muito.
“Meu primo, eu me despeço. Todos nós estamos congelando”, dizia a mensagem.
De acordo com as autoridades gregas, do momento em perdeu o contato com a torre de controle (às 10h30, no horário local) até a queda (às 12h05) se passaram praticamente 90 minutos.