12 de agosto, 2005 - 14h45 GMT (11h45 Brasília)
Com o prazo de 15 de agosto para a redação da nova Constituição do Iraque se aproximando, pelo menos dois elementos que devem ser abordados na Carta estão atrapalhando um consenso dos parlamentares iraquianos: a distribuição dos recursos gerados pelo petróleo e a possível criação de um território autônomo para os xiitas no sul do país.
Segundo o correspondente da BBC em Bagdá Mike Woolridge, é difícil imaginar que um acordo sobre esses temas possa ser conseguido até o fim do prazo, na segunda-feira.
Um porta-voz presidencial iraquiano disse à agência Associated Press que os grupos envolvidos nas discussões precisam fazer concessões para poder chegar a um acordo.
Nesta sexta-feira, líderes árabes sunitas rejeitaram o pedido xiita para o estabelecimento de uma federação com autonomias regionais, alegando que a proposta poderia dividir o país entre as diferentes religiões e etnias.
O estabelecimento de uma federação com autonomias teria um impacto na forma como a renda gerada pelo petróleo é dividida entre as regiões do país.
Bush
A conclusão da Constituição iraquiana é considerada fundamental pelos Estados Unidos para reduzir a tensão e enfraquecer a insurgência no país, permitindo ao Iraque se tornar auto-suficiente.
No seu rancho no Texas, onde passa férias, o presidente George W. Bush disse estar trabalhando com a idéia de que a Constituição estará pronta na segunda-feira.
Após a redação da Constituição e sua eventual aprovação em um referendo previsto para outubro, devem ser realizadas novas eleições parlamentares.
Espera-se que um governo formado após as novas eleições tenha mais legitimidade e permita a retirada gradual das tropas estrangeiras.
Isso explicaria a pressão dos Estados Unidos para que a Constituição seja concluída no prazo.
Violência
A polícia da cidade de Mosul, ao norte do Iraque, disse na sexta-feira ter matado em uma emboscada um aliado do líder da Al-Qaeda no Iraque, Abu Musab al-Zarqawi.
Também na sexta-feira um helicóptero Apache americano caiu em Kirkuk, ferindo seus dois tripulantes, segundo o Exército dos EUA.
A causa do incidente não foi esclarecida de imediato.
O número de militares americanos que morreram no Iraque desde o início do envolvimento militar dos Estados Unidos no país, em 2003, chegou a 1.840 nesta semana.