11 de agosto, 2005 - 15h55 GMT (12h55 Brasília)
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou por unanimidade uma resolução que exige que o Irã suspenda todas as atividades nucleares que foram retomadas nos últimos dias.
Um diplomata envolvido nas negociações disse à agência de notícias Reuters que a resolução, elaborada por França, Grã-Bretanha e Alemanha, demonstra uma "séria preocupação" com o reinício do programa nuclear iraniano.
O texto, no entanto, não mencionaria o pedido de que o caso do Irã seja levado neste momento ao Conselho de Segurança da ONU, que tem poder para impor sanções.
Diplomatas da União Européia dizem que, se Teerã não cooperar com a resolução, o país será levado ao Conselho de Segurança, em setembro, para possível punição.
Sanções
Um dos principais negociadores do Irã para a crise nuclear que envolve o país, Cyrus Nassari, afirmou que impor sanções ao país por causa de seu programa na área seria "um grave erro de cálculo" por parte dos Estados Unidos e da Europa e representaria um passo em direção ao "caminho do confronto".
Nasseri também disse que, ao menos por enquanto, o país tem pouca esperança de que as negociações possam levar a uma solução.
"Neste momento nós não temos muita esperança em conversas, seja agora ou no futuro", disse ele.
O negociador também chamou de "pacote de pirulitos" a proposta de concessões econômicas e políticas apresentada recentemente ao Irã pela União Européia na tentativa de evitar a retomada do programa nuclear.
O governo iraniano nega a intenção de produzir armas e defende seu direito de dominar a tecnologia para a produção de combustível nuclear.
A remoção dos lacres remanescentes na usina nuclear de Isfahan foi realizada nesta quarta-feira na presença dos inspetores da AIEA, que embora não quisesse que o Irã retomasse seu programa nuclear, aceitou inspecionar a reabertura do complexo.
Em novembro do ano passado, partes importantes da usina haviam sido lacradas por inspetores da ONU depois que o Irã concordou em parar o processo de enriquecimento de urânio.
Na segunda-feira, o país já havia retomado as atividades em partes da planta consideradas menos sensíveis. Mas, nesta quarta-feira, as autoridades resolveram colocar a planta em pleno funcionamento.