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11 de agosto, 2005 - 08h48 GMT (05h48 Brasília)

Sanções seriam passo na 'direção do confronto', diz Irã

Um dos principais negociadores do Irã para a crise nuclear que envolve o país, Cyrus Nassari, afirmou que impôr sanções ao país por causa de seu programa na área seria "um grave erro de cálculo" por parte dos Estados Unidos e da Europa e representaria um passo em direção ao "caminho do confronto".

Nasseri também disse que, ao menos por enquanto, o país tem pouca esperança de que as negociações possam levar a uma solução.

"Neste momento nós não temos muita esperança em conversas, seja agora ou no futuro", disse ele.

O negociador também chamou de "pacote de pirulitos" a proposta de concessões econômicas e políticas apresentada recentemente ao Irã pela União Européia na tentativa de evitar a retomada do programa nuclear.

O representante do Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) fez as afirmações depois da reação de várias nações pedindo que o país parasse com seu programa nuclear, retomado a partir da segunda-feira desta semana.

A agência nuclear da ONU discute possíveis medidas contra o país e volta a se reunir nesta quinta-feira em Viena para discutir uma proposta da União Européia que exige a suspensão imediata das atividades nucleares do Irã.

'Desconsideração'

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou que o atual impasse precisa ser encerrado por meio do diálogo entre os dois lados.

De acordo com a correspondente da BBC em Viena Emma Jane Kirby, apesar de o Irã não ter violado as leis internacionais ao retomar a conversão de urânio, os países europeus e os Estados Unidos acreditam que a medida "prejudicou o espírito da reunião da AIEA".

O porta-voz da missão americana Matthew Boland afirmou que o rompimento dos lacres em Isfahan era "mais um sinal da falta de consideração do Irã em relação a preocupações internacionais".

Acredita-se que a proposta que será apresentada nesta quinta-feira pela União Européia no encontro de representantes de 35 países em Viena não inclua ainda um pedido para o Irã ser levado ao Conselho de Segurança da ONU.

Os EUA e alguns países europeus alegam que a mesma tecnologia desenvolvida para produzir combustível atômico no Irã pode ser usada para a produção de armas nucleares – o que, para os americanos, por exemplo, é o que Teerã quer fazer.

O governo iraniano nega a intenção de produzir armas e defende seu direito de dominar a tecnologia para a produção de combustível nuclear.

A remoção dos lacres remanescentes na usina nuclear de Isfahan foi realizada nesta quarta-feira na presença dos inspetores da AIEA, que embora não quisesse que o Irã retomasse seu programa nuclear, aceitou inspecionar a reabertura do complexo.

Em novembro do ano passado, partes importantes da usina haviam sido lacradas por inspetores da ONU depois que o Irã concordou em parar o processo de enriquecimento de urânio.

Na segunda-feira, o país já havia retomado as atividades em partes da planta consideradas menos sensíveis. Mas, nesta quarta, as autoridades resolveram colocar a planta em pleno funcionamento.