10 de agosto, 2005 - 15h46 GMT (12h46 Brasília)
O Irã rompeu nesta quarta-feira os lacres remanescentes da ONU e retomou a atividade total em sua usina nuclear de Isfahan.
Em novembro do ano passado, partes importantes da usina haviam sido lacradas por inspetores das Nações Unidas depois que o Irã concordou em parar o processo de enriquecimento de urânio, que pode permitir que se produzam armas nucleares.
Na segunda-feira, o país já havia retomado as atividades em partes da planta consideradas menos sensíveis. Mas, nesta quarta, as autoridades resolveram colocar a planta em pleno funcionamento.
"A remoção dos lacres (foi feita) na presença dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica", disse o vice-diretor da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Saeedi.
Embora queira que o país não retome seu programa nuclear, a AIEA aceitou inspecionar a reabertura de Isfahan.
Armas
Com a retomada, o Irã alega que vai apenas produzir o combustível para suas usinas nucleares, voltadas à produção de energia.
Alguns países ocidentais, entre eles os EUA, querem evitar que isso ocorra porque alegam que a mesma tecnologia desenvolvida para fazer o combustível atômico pode ser usada para a produção de armas nucleares – o que, para os americano, por exemplo, é o que o Irã quer fazer.
O governo iraniano nega a intenção de produzir armas e defende seu direito de dominar a tecnologia para a produção de combustível nuclear.
A decisão iraniana desta quarta foi tomada em meio a uma reunião de emergência da agência nuclear da ONU justamente para discutir a decisão de Teerã de reiniciar a conversão de urânio.
A diretoria da agência, formada por 35 países, adiou o segundo dia de conversas formais para quinta-feira para permitir com que diplomatas continuem discutindo o assunto de forma privada, a portas fechadas.
O novo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que está pronto para mais conversas sobre o programa nuclear do país e que vai levar adiante propostas novas.
Os Estados Unidos e a União Européia tem pedido a Teerã para voltar à mesa de negociações.
Eles querem que o país abandone completamente suas atividades nucleares em troca de benefícios econômicos e políticos.
A AIEA está discutindo agora o que fazer caso o Irã não aceite as propostas da organização para paralisar seu programa nuclear. Uma das possibilidades é levar o país ao Conselho de Segurança da ONU para sofrer possíveis sanções.