06 de agosto, 2005 - 06h47 GMT (03h47 Brasília)
O novo presidente do Irã, Mahmoud Ahmedinejad, prestou juramento oficial neste sábado prometendo obedecer as leis internacionais – mas afirmando que o país não vai "ceder àqueles que querem violar" os "direitos" dos iranianos.
"Nós queremos a paz e a justiça para todos, mas o que alguns países querem dizer quando falam de paz é a submissão das outras nações, e eles utilizam ameaças para chegar a seus fins", disse o presidente iraniano, que é visto como um conservador "linha-dura".
Segundo analistas, as declarações parecem se referir às crescentes tensões envolvendo o programa nuclear iraniano.
A União Européia apresentou um novo plano para tentar convencer o Irã a abandonar atividades de seu programa nuclear que poderiam estar ligadas à fabricação de armamentos.
A proposta foi apoiada pelos Estados Unidos, mas há informações de que ela já foi rejeitada pelo governo iraniano.
Proposta
Na quarta-feira, Ahmedinejad já havia tomado posse formalmente do governo, deixando apenas a cerimônia de juramento para este sábado.
O anúncio do apoio americano à proposta da União Européia (UE) ao Irã foi feito na sexta-feira.
"Nós achamos que é uma boa proposta para os iranianos considerarem e nós pedimos que eles façam isso", afirmou o subsecretário de Estado Nicholas Burns.
A oferta européia não foi exposta publicamente, mas informações apuradas pelo jornal The New York Times indicam que a UE estaria propondo ao Irã uma normalização completa das relações políticas e econômicas com os países ocidentais.
Em troca, porém, o bloco exigiria um compromisso iraniano de abandonar o processo de conversão e enriquecimento de urânio que, na opinião dos governos dos Estados Unidos e da Europa, tem como objetivo a produção de bombas nucleares.
Retomada
Fontes européias envolvidas nas negociações afirmaram ao jornal americano que as propostas oferecem ainda a Teerã cooperação para que o país desenvolva um programa nuclear civil, com vistas à produção de energia.
Ao comentar a proposta européia, o subsecretário americano diz que espera que o Irã não coloque em prática a ameaça de retomar na semana que vem as suas atividades nucleares, suspensas desde novembro.
Até pouco tempo atrás, Washington era contra que o Irã mantivesse um programa nuclear mesmo para fins civis, por causa de suspeitas de que a tecnologia fosse usada para a fabricação de armas.
O Irã suspendeu suas atividades nucleares durante as negociações com a Europa, mas seus líderes ressaltam que a interrupção foi apenas temporária.
O governo iraniano afirma que seu programa tem fins pacíficos, mas inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) encontraram centrífugas que podem ser usadas para enriquecer material para armas nucleares.