06 de agosto, 2005 - 04h41 GMT (01h41 Brasília)
O governo americano apoiou uma proposta da União Européia (UE) ao Irã com o objetivo de incentivar o país a abandonar atividades de seu programa nuclear que estariam ligadas à fabricação de armamentos.
"Nós achamos que é uma boa proposta para os iranianos considerarem e nós pedimos que eles façam isso", afirmou o subsecretário de Estado Nicholas Burns.
A oferta européia não foi exposta publicamente, mas informações apuradas pelo jornal The New York Times indicam que a UE estaria propondo ao Irã uma normalização completa das relações políticas e econômicas com os países ocidentais.
Em troca, porém, o bloco exigiria um compromisso iraniano de abandonar o processo de conversão e enriquecimento de urânio que, na opinião dos governos dos Estados Unidos e da Europa, tem como objetivo a produção de bombas nucleares.
Fontes européias envolvidas nas negociações afirmaram ao jornal americano que as propostas oferecem ainda a Teerã cooperação para que o país desenvolva um programa nuclear civil, com vistas à produção de energia.
"Inaceitável"
O principal negociador iraniano para a questão nuclear, Hossein Mousavian, disse à agência de notícias Reuters que a oferta seria avaliada e que "definitivamente" a resposta seria dada no domingo.
Mas ele também teria dito à agência France Presse que as propostas são "inaceitáveis" e violam os princípios da negociação do país com os europeus.
Mousavian teria dito que elas "negam o direito inalienável do Irã", sob o Tratado da Não-Proliferação Nuclear, de produzir combustível nuclear.
A correspondente da BBC em Teerã, Frances Harrison, informa que a UE não está oferecendo nenhum incentivo ao Irã, o que torna a aceitação do plano altamente improvável.
Ao comentar a proposta européia, o subsecretário americano diz que espera que o Irã não coloque em prática a ameaça de retomar na semana que vem as suas atividades nucleares, suspensas desde novembro.
Até pouco tempo atrás, Washington era contra que o Irã mantivesse um programa nuclear mesmo para fins civis, por causa de suspeitas de que a tecnologia fosse usada para a fabricação de armas.
As propostas foram apresentadas aos iranianos por embaixadores da Grã-Bretanha, França e Alemanha, países que atuam nas discussões em nome da UE.
O Irã suspendeu suas atividades nucleares durante as negociações com a Europa, mas seus líderes ressaltam que a interrupção foi apenas temporária.
A República Islâmica afirma que seu programa tem fins pacíficos, mas inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) encontraram centrífugas que podem ser usadas para enriquecer material para armas nucleares.