06 de agosto, 2005 - 05h57 GMT (02h57 Brasília)
Cerca de 50 mil pessoas participaram neste sábado em Hiroshima, no Japão, de uma cerimônia para marcar os 60 anos do lançamento da bomba atômica sobre a cidade no final da Segunda Guerra Mundial.
A cerimônia foi realizada no Parque da Paz, no centro da cidade, e homenageou as mais de 140 mil pessoas mortas pela bomba lançada pelos Estados Unidos.
O momento exato em que se completaram 60 anos desde que a bomba "Little Boy" ("Garotinho") foi jogada sobre a cidade, 8h15 da manhã (20h15 de sexta-feira em Brasília), foi lembrado com o badalar de um sino, seguido por um momento de silêncio.
O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, que participou do evento no Parque da Paz, disse que Hiroshima vem buscando a paz desde a tragédia.
"Os cidadãos de Hiroshima são as testemunhas da paz global, nós esperamos que Hiroshima continue a ser o símbolo da paz global", afirmou Koizumi.
Também presente, o prefeito da cidade, Tadatoshi Akiba, aproveitou a ocasião para pedir a abolição das armas nucleares.
Ele acusou as potências nucleares de ignorarem a vontade da maioria da população mundial de que o planeta se livre desse tipo de bomba.
"Nós temos que prestar tributo a todas as almas levadas pela bomba atômica", afirmou Akiba.
"Nós não vamos cometer o mesmo erro novamente."
Modernidade
Crianças vestidas de preto e branco, as cores do luto no Japão, deixaram flores em um memorial simples construído em homenagem às vítimas.
Conchas de água também foram oferecidas simbolicamente para aliviar o calor atômico.
Há 60 anos, Hiroshima era uma base militar e um importante porto onde viviam cerca de 350 mil pessoas.
Hoje, é uma cidade industrial e moderna com uma população de 1,1 milhão de habitantes.
As marcas da catástrofe atômica, no entanto, ainda podem ser vistas em meio a prédios modernos e ruas movimentadas.
Em uma rua residencial no centro, é possível ver na calçada uma lápide marcando o local exato onde a bomba explodiu.
Não fica muito longe do Parque da Paz, onde foram construídos museus e memoriais para as vítimas da bomba atômica.
Também ali está o Domo da Bomba A, um dos poucos prédios próximos ao epicentro que ficou de pé e é mantido assim até hoje para lembrar a tragédia.