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05 de agosto, 2005 - 08h29 GMT (05h29 Brasília)

Após mortes e linchamento, Israel reforça segurança

Um contingente extra de 2 mil policiais está sendo enviado para a cidade de Shfaram, no norte de Israel, depois que um extremista israelense matou a tiros quatro pessoas dentro de um ônibus e acabou sendo linchado pela multidão na cidade, nesta quinta-feira.

Também estão deslocados agentes das forças de segurança para áreas consideradas sensíveis em torno de Jerusalém, como o Monte do Templo, que é sagrado tanto para muçulmanos quanto para judeus.

Com a mobilização, as autoridades israelenses esperam evitar novos incidentes nesta sexta-feira. Teme-se que extremistas judeus tentem algum tipo de ação para tentar atrapalhar a retirada israelense da Faixa de Gaza decidida pelo governo do primeiro-ministro Ariel Sharon.

Ainda nesta sexta-feira, israelenses de origem árabe prometem realizar uma greve em protesto contra as mortes. De acordo com o deputado árabe-israelense Mohammed Barakeh, que visitou o local do incidente, todas as vítimas eram árabes-israelenses e viviam em Shfaram.

Além dos três mortos, pelo menos 12 outras pessoas ficaram feridas, e algumas continuam em estado grave.

Problemático

O extremista responsável pelos crimes, identificado como Eden Natan Zaada, de 19 anos, vivia no assentamento judeu de Tapuah, na Cisjordânia.

A mídia israelense tem informado que, segundo o Exército, Zaada tinha um histórico “problemático”.

Ele seria membro do partido extremista Kach, que é ilegal.

Seu pai, Yitzak Natan Zaada, disse que havia pedido ao Exército que tentasse descobrir o paradeiro do filho.

“Eu não achei que ele fosse fazer alguma coisa”, disse Zaada à agência de notícias Associated Press.

Discussão

De acordo com uma testemunha, o extremista abriu fogo enquanto estava conversando com o motorista do ônibus, que seria um dos mortos no ataque.

A polícia retirou os passageiros do ônibus depois dos tiros e tentou proteger o autor dos disparos, mas ele foi apedrejado e morto pela multidão.

As forças de segurança israelenses qualificaram o incidente como "um ataque terrorista judaico".

Sharon, por sua vez, disse que se tratou de uma "tentativa deliberada de prejudicar as relações entre os cidadãos de Israel".

De acordo com a polícia, o atirador vestia um uniforme militar israelense e testemunhas, entrevistadas pela televisão israelense, disseram que ele usava uma barba e um solidéu (cobertura de cabeça dos homens judeus).

Segundo o jornal israelense Haaretz, o homem armado era um desertor do Exército israelense com ligações com extremistas de extrema-direita.