03 de agosto, 2005 - 03h09 GMT (00h09 Brasília)
Um juiz iraniano que atuou em vários casos notórios no país foi morto em seu carro depois de deixar o trabalho em Teerã.
Massoud Moghaddas atuou em uma série de processos importantes que envolviam questões como direitos humanos e liberdade de imprensa, incluindo o do mais conhecido prisioneiro político do país, o jornalista Akbar Ganji.
Ganji foi preso em 2001 por causa de artigos que escreveu denunciando supostas ligações entre autoridades iranianas com assassinatos políticos. O prisioneiro está em greve de fome há 53 dias como uma forma de pedir a sua libertação.
A sentença de seis anos de prisão de Ganji foi emitida por Moghaddas.
Antigos casos
O chefe da polícia local, Moretza Talaei, disse que a razão do crime ainda não foi esclarecida e acrescentou que vão buscar pistas em processos que passaram pelas mãos do juiz.
"Geralmente esse tipo de ato é algum gesto louco ou um acerto de contas", afirmou Talaie.
O policial disse ainda que Moghaddas foi morto a tiros por um motociclista.
"Um indivíduo passou na sua altura quando ele estava dirigindo e disparou dois tiros na sua cabeça com uma pistola. O primeiro (tiro) o matou. O assassino então fugiu."
Em outro caso notório, os advogados da família do jornalista irano-canadense Zahra Kazemi, que morreu sob custódia policial dois anos atrás, haviam recentemente pedido a Moghaddas que prestasse depoimento como testemunha no julgamento. O pedido foi rejeitado pelo Judiciário.
O caso de Akbar Ganji é visto no Irã como parte de uma luta mais ampla entre o movimento reformista, liderado pelo presidente Mohammed Khatami – que passa o poder para o conservador Mahmoud Ahmadinejad nesta quarta-feira – e clérigos conservadores e o Judiciário.
No seu último discurso como presidente, Mohammad Khatami disse nesta terça-feira que durante os oito anos em que esteve no poder o Irã melhorou as relações com os seus vizinhos e o resto do mundo e tornou o país mais seguro.
Correspondentes da BBC no Irã, entretanto, informam que o legado de Khatami é polêmico, com muitos reformistas o acusando de não conseguir implementar mudanças significativas no país. Khatami responsabiliza a oposição conservadora por isso.
Estados Unidos, União Européia e entidades de defesa dos direitos humanos defendem a libertação do jornalista.