02 de agosto, 2005 - 03h57 GMT (00h57 Brasília)
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, enviou dois representantes ao Sudão depois dos confrontos que tomaram conta do país com a morte do vice-presidente John Garang.
Os choques já mataram mais de 30 pessoas e deixaram pelo menos cem feridos. A violência fez com que o governo chegasse a decretar um toque de recolher, mas a calma nas ruas do país parece ter sido retomada nesta terça-feira.
Para evitar novos atos de violência foi implantado um forte esquema de segurança no país, com veículos blindados e soldados fortemente armados percorrendo as ruas.
O comércio foi parcialmente retomado e carros estão pouco a pouco voltando às ruas.
Enviados
Os representantes do governo americano – a secretária-assistente de Estado para Assuntos Africanos, Connie Newman, e o enviado especial dos Estados Unidos ao Sudão, Roger Winter – viajaram na segunda-feira.
O porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey, disse que os dois irão à capital, Cartum, e ao sul do Sudão para reuniões com as facções envolvidas no acordo de paz a fim de estimulá-los a manter o compromisso com o processo.
Segundo Casey, a situação em Darfur, palco de outro conflito civil no Sudão, também será discutida.
Recém-nomeado
Garang, que acabara de ser nomeado vice-presidente, morreu num acidente de helicóptero no sábado, mas a sua morte só foi anunciada nesta segunda-feira.
O ex-líder rebelde foi um dos articuladores do acordo de paz que pôs fim a 21 anos de guerra civil, assinado em janeiro deste ano. Estima-se que dois milhões de pessoas tenham morrido no conflito.
O grupo a que Garang pertencia, o Movimento pela Liberação do Povo do Sudão (MLPS), enfatizou que sua a morte foi acidental e defendeu a continuação da implementação do processo de paz.
O movimento também foi rápido em nomear o vice-líder Salva Kiir como sucessor de Garang e próximo vice-presidente do Sudão.
O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, também disse que está determinado a continuar o processo de paz.
Apelos
O presidente Bush e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, se juntaram ao governo e aos rebeldes em apelos por calma à população.
A história de Garang no MLPS começou em 1983, quando ele, ainda como coronel do Exército, foi enviado para reprimir uma rebelião.
Ele acabou desertando para liderar o movimento em defesa do sul, majoritariamente cristão e animista, contra o governo de Cartum, dominado por muçulmanos.
Garang se transformou num símbolo para todos os marginalizados no Sudão qiue tinham os seus próprios problemas com o governo central.
Garang declarou três dias de luto nacional em homenagem ao rebelde transformado em vice-presidente.