01 de agosto, 2005 - 11h28 GMT (08h28 Brasília)
Um representante do governo do Irã disse que o país deve retomar suas atividades nucleares nesta segunda-feira, depois do fracasso das negociações com a União Européia (UE).
No domingo acabou o prazo dado pelo governo iraniano para que o bloco europeu apresentasse uma proposta para resolver a disputa em torno das atividades nucleares do país.
O prazo chegou a ser estendido até as 19h30 desta segunda-feira, hora de Teerã (8h em Brasília), mas a UE - que disse precisar de mais uma semana de prazo - não teria apresentado nenhuma oferta.
O Irã deve reativar a usina de Isfahan, fechada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU.
Atividades
O Irã suspendeu toda a conversão e enriquecimento de urânio no país em novembro de 2004 por causa da pressão internacional, mas nega que esteja desenvolvendo armas nucleares.
O urânio enriquecido pode ser usado como combustível em usinas nucleares, mas também pode ser usado na construção de armas.
Antes de estender o prazo, autoridades iranianas haviam dito que informariam à AIEA a decisão de retomar as atividades.
O governo iraniano acredita que tem o direito internacional de procurar tecnologia nuclear e argumenta que a produção de matéria-prima não é a mesma coisa que voltar a enriquecer urânio com força total.
A correspondente da BBC em Teerã Frances Harrison afirma que todos os jornais iranianos apoiaram a decisão do governo.
Os Estados Unidos suspeitam que o Irã esteja tentando desenvolver armas nucleares, mas o Irã nega as acusações.
Caso o Irã retome suas atividades nucleares, a AIEA deverá convocar uma reunião de emergência, onde provavelmente será emitido um alerta ao Irã. Se o impasse continuar, o assunto poderá ser levado ao Conselho de Segurança da ONU.