21 de julho, 2005 - 19h47 GMT (16h47 Brasília)
Marcelo Crescenti
de Frankfurt
Em um discurso à nação nesta quinta-feira, o presidente alemão, Horst Köhler, deu luz verde à antecipação das eleições na Alemanha.
“Eu decidi dissolver o parlamento e convocar novas eleições”, disse Köhler, confirmando que as eleições planejadas para o ano que vem serão realizadas em setembro deste ano.
Köhler disse que a Alemanha precisa de um governo forte, com bastante apoio para enfrentar problemas graves como a atual crise econômica e o desemprego.
O voto do presidente foi decisivo para a antecipação do pleito, já que, segundo a lei alemã, ele poderia ter bloqueado a medida se achasse que ela era inconstitucional.
O chanceler alemão Gerhard Schröder perdeu um voto de confiança no parlamento no dia 1º de julho. Ele tinha dito abertamente que queria perder a votação, o que não está previsto nas regras do jogo do parlamentarismo alemão.
O presidente, que tem a última palavra no assunto, julgou que o governo está enfraquecido e que a dissolução do parlamento está dentro dos parâmetros da constituição.
Alívio
A decisão provocou alívio na Alemanha, já que, segundo pesquisas de opinião, a grande maioria da população é a favour da antecipação do pleito.
Em um pronuinciamento logo depois do discurso do presidente, o chanceler Gerhard Schröder elogiou sua “decisão soberana” e começou imediatamente a fazer campanha, dizendo que quer continuar com as reformas no país.
Reformas impopulares na previdência social e no mercado de trabalho foram em parte responsáveis pela queda do partido do chanceler, o social-democrata, nas pesquisas.
Neste momento, tudo aponta para uma vitória da oposição cristã-democrata liderada por Angela Merkel, que se eleita poderá ser a primeira mulher a liderar a Alemanha na história do país.
Apesar do pronunciamento positivo do presidente, a decisão final poderá ficar a cargo da justiça: dois deputados já disseram que vão abrir um processo no tribunal federal constitucional, o equivalente alemão ao supremo tribunal, porque acham que a medida viola a Carta alemã.
Segundo uma pesquisa da TV estatal da Alemanha ARD feita nesta quinta-feira, cerca de 70% dos alemães esperam que o tribunal decida a favor da antecipação do pleito.