19 de julho, 2005 - 21h25 GMT (18h25 Brasília)
Pela primeira vez, o Hezbollah, uma organização considerada "terrorista" pelos Estados Unidos, foi incluído em um gabinete de governo no Líbano.
O anúncio sobre a formação do gabinete de 24 ministros foi feito nesta terça-feira pelo primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, depois de um encontro dele com o presidente Émile Lahoud.
O Hezbollah, que recebeu apoio maciço dos eleitores do sul do Líbano nas últimas eleições gerais no país, realizadas em maio e junho, deve ficar com o Ministério da Energia. Muhammed Fneish, um representante da organização, foi indicado para assumir o posto.
No ano passado, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) baixou uma resolução pedindo o desarmamento do Hezbollah, que costuma realizar ataques contra alvos israelenses.
Cristãos
Este é o primeiro gabinete de governo anunciado no Líbano desde a retirada das tropas sírias que estavam no país desde o final da guerra civil libanesa (1975-1990).
Divergências entre o primeiro-ministro e o presidente vinham adiando o anúncio sobre a formação do novo governo.
Fawzi Salukh, um muçulmano xiita, foi indicado ministro das Relações Exteriores.
Segundo informações, havia dificuldades para um acordo sobre a indicação dos ministros cristãos no gabinete.
O maior bloco cristão do Parlamento, liderado pelo ex-chefe do Exército e linha dura Michel Aoun, não recebeu nenhuma cadeira no gabinete. Ele diz que vai liderar a principal oposição no Parlamento.
Siniora, que era ministro das Finanças no governo do primeiro-ministro libanês Rafik Hariri - morto num atentado em Beirute em fevereiro -, disse que vai se concentrar em reformas econômicas, especialmente em cortes de desperdícios no setor público.
Uma das grandes questões do governo será melhorar a segurança, depois de uma série de assassinatos políticos, como o que vitimou Hariri.