14 de julho, 2005 - 01h38 GMT (22h38 Brasília)
Investigadores militares dos Estados Unidos disseram nesta quarta-feira ter descoberto três casos de abuso e tratamento "degradante" em inquérito sobre queixas de prisioneiros no campo de detenção da Baía de Guantánamo, em Cuba.
O general encarregado do inquérito, Randall Schmidt, disse que um prisioneiro considerado chave no campo - um cidadão saudita suspeito de envolvimento nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos - foi forçado a imitar um cachorro e a vestir roupa íntima de mulher.
"Ele foi forçado a vestir um sutiã e a colocar uma calcinha sobre a cabeça durante o interrogatório. Dois agentes realizando o interrrogatório disseram-lhe que ele era um homossexual ou tinha tendências homossexuais conhecidas dos outros detidos", disse Schmidt.
Segundo Schmidt, o suspeito foi obrigado a dançar com um dos interrogadores.
Mas apesar de haver sofrido tratamento degradante, o prisioneiro não foi torturado, afirmou o general americano.
A investigação concluiu que os funcionários do campo seguiram, de maneira geral, as normas militares.
Os investigadores recomendaram em vão a repreensão do comandante do campo de prisioneiros na época, o general Geoffrey Miller.
O inquérito foi aberto depois que o FBI, a polícia federal americana, manifestou preocupação com o tratamento dos prisioneiros no campo.
Há cerca de 500 detentos em Guantánamo - a maioria presos no Iraque e no Afeganistão, como parte da chamada campanha contra o terror conduzida pelos Estados Unidos.