12 de julho, 2005 - 16h21 GMT (13h21 Brasília)
O acusado pelo assassinato do polêmico cineasta holandês Theo Van Gogh confessou o crime durante seu julgamento, na capital do país, Amsterdã, nesta terça-feira.
Mohammed Bouyeri, de 27 anos, disse ter sido motivado por razões religiosas e que faria "exatamente o mesmo" se fosse posto em liberdade.
A acusação disse que Bouyeri matou Van Gogh em nome de uma “visão radical do islamismo”.
O crime, cometido em novembro de 2004, chocou a Holanda e exacerbou tensões étnicas.
Mártir
Bouyeri, que tem dupla nacionalidade, holandesa e marroquina, pode ser condenado à prisão perpétua se condenado.
"Assumo a responsabilidade por meus atos. Agi puramente em nome de minha religião", disse ele durante seu julgamento.
"Posso garantir que algum dia, se fosse solto, faria exatamente o mesmo", disse ele.
Seu advogado disse à corte que a defesa não apresentaria argumentos em nome do acusado.
Bouyeri é acusado de ter atirado e esfaqueado Van Gogh quando o cineasta andava de bicicleta em uma rua de Amsterdã.
Um bilhete preso ao corpo do cineasta com uma faca ameaçava ainda a parlamentar holandesa, nascido na Somália, Ayaan Hirsi.
A parlamentar é responsável pelo roteiro do filme Submission, que retrata a violência sofrida por mulheres em sociedades islâmicas.
Bouyeri foi preso após trocar tiros com a polícia, minutos após o assassinato do cineasta.
A promotoria disse que Boyeri pretendia morrer como um "mártir", assassinado pela polícia.