05 de julho, 2005 - 15h26 GMT (12h26 Brasília)
Os líderes africanos que participam do encontro da União Africana, realizado na cidade de Sirte, na Líbia, pediram nesta terça-feira o perdão total das dívidas do continente na declaração final da cúpula.
Eles também querem condições mais justas de comércio com os países ricos, além de enfatizarem o desejo por melhores governos e por mais transparência no continente.
O encontro termina um dia antes do início da reunião do G8 (formado pelos sete países mais ricos do mundo e a Rússia), na Escócia.
Na segunda-feira, o líder líbio Muammar Kadafi disse aos líderes africanos que parem "de pedir esmola" aos países do Ocidente.
Mas a declaração final pede ao G8 a eliminação total de débitos no valor de US$ 350 bilhões, em vez dos US$ 40 bilhões já prometidos pelos países ricos.
Os líderes africanos também querem dois representantes fixos com direito a veto no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), mas a declaração final do encontro não menciona como os dois representantes permanentes do continente seriam escolhidos.
Comércio
O presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, disse aos 53 representantes no encontro da União Africana que o continente está deixando para trás um passado com golpes militares e entrando em um futuro de uma melhor administração.
Obasanjo, que vai estar na Escócia para o encontro do G8, pediu uma grande ajuda financeira do Ocidente e uma expansão do valor de dívidas a ser perdoado.
"Agora não há tempo para muita conversa, mas para ações sérias e certas", disse ele.
A declaração de Obasanjo contrastou com aquela de Kadafi, que disse que a África deveria recusar todas as ajudas condicionais e algumas ofertas de ajuda vindas de ex-potências colonizadoras.
Em um discurso de 30 minutos na segunda-feira, Kadafi disse que "implorar não vai fazer o futuro da África – isso cria um abismo maior entre os grandes e os pequenos". Ele foi aplaudido pelas autoridades presentes.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que a maioria dos países prefere fazer negociações para terminar com a pobreza e não depender de "esmolas".
Ele disse que o desafio por trás da ajuda seria o fim de embargos e subsídios para que os países africanos possam competir mais justamente.