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04 de julho, 2005 - 15h40 GMT (12h40 Brasília)

Parem de 'pedir esmola', diz Kadafi à União Africana

O líder líbio Muammar Kadafi disse aos líderes africanos que parem “de pedir esmola" aos países do Ocidente.

A declaração foi feita durante o seu discurso na abertura do encontro da União Africana, nesta segunda-feira, realizado na cidade de Sirte, na Líbia.

"Implorar não vai fazer o futuro da África – isso cria um abismo maior entre os grandes e os pequenos", disse.

O discurso de 30 minutos foi recebido com aplausos entre as autoridades presentes, segundo a agência de notícias Associated Press.

Pressão

Apesar das palavras de Kadafi, a maioria dos líderes dos países que fazem parte da União Africana está usando o evento para pressionar as nações mais ricas do mundo por ajuda e redução de suas dívidas.

"A África tem vontade, mas não tem os meios", disse o ministro das Relações Exteriores da Somália, Abdullahi Sheekh Ismail.

Nesta semana, na Escócia, o G8 – formado pelos sete países mais ricos do mundo e a Rússia – vai discutir formas de ajudar a África.

Mas o primeiro-ministro da Etiópia, Meles Zenawi, disse à BBC que é pouco provável que as nações ricas concordem em oferecer à África um "ambiente de comércio mais justo".

A cúpula da União Africa ocorre depois do Live 8, que reuniu milhares de pessoas ao redor do mundo em shows para pressionar o G8.

"O G8 tem os meios e todo o suporte logístico. É muito importante que a vontade política seja combinada com os recursos que o G8 tem para ajudar a África", disse Abdullahi Sheekh Ismail, da Somália.

"Há três problemas: a pobreza, as doenças e as situações de conflito. Então, o G8 deve tomar uma série de medidas para cobrir essas três necessidades do continente."

Durante o encontro, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, anunciou a criação do Fundo para Democracia da organização para ajudar os países pobres a preparar e realizar eleições.

Annan afirmou que "quase todas" as nações representadas no encontro estão comprometidas com eleições.