01 de julho, 2005 - 09h57 GMT (06h57 Brasília)
O Parlamento alemão vai decidir nesta sexta-feira sobre um voto de desconfiança ao chanceler Gerhard Schröder que, se aprovado, levará a novas eleições na Alemanha.
A votação foi pedida pelo próprio Schröder depois que o seu partido Social Democrata sofreu uma dura derrota na eleições regionais em maio.
Segundo ele, é necessário antecipar as eleições gerais em um ano para obter um mandato de implementação de duras reformas econômicas.
A eleição antecipada, que se aprovada depende de autorização presidente da Alemanha, Horst Köhler, poderá transferir o poder ao Partido Cristão Democrata.
Razões
Alguns analistas têm posto em dúvida a constitucionalidade da decisão de Schröder.
O chanceler vai dar suas razões para convocar o voto de desconfiança antes da votação dos parlamentares do Bundestag, a câmara baixa do Parlamento alemão.
O líder do partido de Schröder e seu aliado próximo, Franz Muentefering, reforçou a posição do chanceler, pedindo que nem os seus seguidores votem a favor dele.
"Pode se manifestar confiança no chanceler abstendo-se de votar, porque isso permitirá a convocação de eleições", disse Muentefering.
No entanto, parlamentares sociais-democratas e do Partido Verde, que integra a coalizão de governo, dizem que vão votar a favor do governo.
Os conservadores da União Democrata Cristã têm uma vantagem de 17 pontos nas pesquisas de opinião e eles estão defendendo a antecipação de eleições.
Eles prevêem uma possível vitória que poderá fazer da líder do partido, Angela Merkel, a primeira mulher a assumir o posto de chanceler da Alemanha.
Economia
Mesmo que Schröder perca o voto de desconfiança, analistas dizem que ele ainda terá de convencer Köhler de que sua iniciativa é constitucional.
O precedente para essa iniciativa foi criado em 1982, quando o então chanceler Helmut Kohl dissolveu o Parlamento e perdeu deliberadamente um voto de desconfiança.
Ele ganhou as eleições e aumentou sua maioria no Parlamento.
Na época, a Justiça alemã disse que o Parlamento deveria mudar a Constituição se quisesse se dissolver novamente, o que nunca foi feito.
O governo de Schröder vem perdendo apoio por causa do baixo desempenho da economia alemã e das reformas que ele vem tentando implementar.
Acima de tudo, os eleitores parecem estar fartos da incapacidade do governo em derrubar a alta taxa de desemprego – que está em 11,3%, ou cerca de 4,7 milhões.