30 de junho, 2005 - 16h51 GMT (13h51 Brasília)
Piratas armados seqüestraram um navio da ONU carregado de ajuda humanitária para vítimas do tsunami no nordeste da Somália.
A fragata MV Semlow seguia do porto de Mombaça, no Quênia, para Bossaso, no nordeste da Somália, quando foi atacada na manhã de segunda-feira.
"Os seqüestradores estão pedindo US$ 500 mil mas nós dissemos a eles que temos apenas um pequeno barco com carga humanitária para alimentar o povo somaliano", disse à agência de notícias Reuters Inayet Kudrati, diretor da Agência de Navegação Mokatu, sediada no Quênia, e que alugou o navio para a ONU.
As informações são que a tripulação de dez homens - seqüestrada - está em segurança.
Segundo a Organização Marítima Internacional, a costa da Somália está entre as regiões mais perigosas do mundo.
Vítimas
Cerca de 28 mil pessoas que perderam casa e meio de vida quando o tsunami atingiu a costa africana no dia 26 de dezembro estão recebendo alimentos da ONU.
Mas a Somália hoje vive uma guerra civil, com mais de 60 mil homens envolvidos nas milícias.
Desde 1991 não há governo operante no país por causa da violência, o que prejudica a distribuição de ajuda às vítimas do tsunami.
A tentativa de estabelecer um governo de transição - instalado no Quênia, no ano passado - fracassou.
O Programa Mundial de Alimentos da ONU apelou para a liberação imediata da embarcação que transportava alimentos doados pelo Japão e Alemanha.
"Nós pedimos a líderes locais que permitam que o navio continue sua viagem", disse o porta-voz do Programa Mundial de Alimentos, Rene McGuffin.
Em meados deste mês, a Organização Marítima Internacional advertiu para o aumento da pirataria na região e recomendou que embarcações ficassem a pelo menos 85 quilômetros de distância da costa.
A área mais afetada pelo tsunami na região foi a costa da Somália, onde 200 pessoas morreram e 2,4 mil embarcações pesqueiras foram destruídas. O número de desabrigados está em torno de 30 mil.