30 de junho, 2005 - 22h00 GMT (19h00 Brasília)
O governo americano anunciou que está investigando as acusações de que o presidente eleito iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, esteve envolvido em um seqüestro na Embaixada dos Estados Unidos em Teerã, em 1979.
Alguns dos ex-reféns reconheceram Ahmadinejad com um dos seqüestradores, mas três iranianos envolvidos na ação, além de assessores dele, negaram o envolvimento.
Mohsen Mirdamadi, o líder dos seqüestradores, disse à BBC que o novo presidente não participou da ação.
Além dele, outros dois líderes estudantis envolvidos no seqüestro, Abbas Abdi e Hamid Reza, negaram a participação de Ahmadinejad.
A correspondente da BBC em Teerã, Frances Harrison, disse que os três ex-seqüestradores são reformistas que se opõem aos linha-dura como Ahmadinejad, e não teriam qualquer razão para esconder o envolvimento dele.
Perguntas sem resposta
Fotos de um jovem barbado levando um refém americano de olhos vendados pelo braço apareceram recentemente na internet, com a alegação de que se tratava de Ahmadinejad.
Mas o homem na fotografia parece bem mais alto do que o presidente eleito do Irã, e não se parece em nada com as fotografias de Ahmadinejad na mesma época, também disponíveis na internet, disse Frances Harrison.
O porta-voz da Casa Branca Scott McClellan disse que as acusações estão sendo levadas a sério.
"Acredito que as reportagens e declarações de vários ex-reféns americanos levantam perguntas sobre o passado dele. Estamos tentando entender os fatos", disse McClellan.
Um ex-refém, o coronel Chuck Scott, disse à agência de notícias AP que "este é o homem".
"Não há dúvidas sobre isso. Ele poderia estar louro e ter a barba raspada, mudar a roupa dele, e ainda assim eu o reconheceria."
Outros quatro ex-reféns reconheceram Ahmadinejad, mas pelo menos um ex-refém discorda da acusação.
Ao todo, 52 cidadãos americanos foram tomados como reféns quando um grupo de jovens ativistas iranianos pulou o muro da embaixada durante a Revolução Islâmica, que derrubou o Xá Reza Pahlevi e levou o aiatolá Khomeini ao poder.