28 de junho, 2005 - 09h27 GMT (06h27 Brasília)
O processo de canonização do papa João Paulo 2º começa nesta terça-feira. O Vaticano vai estudar se há evidências que confirmem um suposto milagre praticado por ele.
Os membros de uma comissão especial para avaliar o caso – que incluem uma espécie de "advogado do diabo", cuja função é fazer oposição às alegações – prestarão juramento se comprometendo a manter sigilo.
O Vaticano afirma que centenas de cartas e emails já foram enviados defendendo a santidade do pontífice que morreu em abril deste ano.
Seu sucessor, papa Bento 16, assinou um decreto especial acelerando o processo de canonização.
Os procedimentos normalmente não começam antes de completados cinco anos da morte do candidato.
Exceções
João Paulo 2º chegou a abrir uma exceçõe a essa regra para a madre Teresa de Calcutá, cujo processo de canonização foi aberto dois anos após a sua morte.
O correspondente da BBC Jeremy Bowen afirma que, no passado, esse tipo de processo poderia levar séculos para ser concluído.
Para canonizar o antigo papa o Vaticano precisa descobrir provas de pelo menos dois milagres desde a sua morte – atos milagrosos que tenham ocorrido como resultado de orações pedindo ajuda a João Paulo 2º.
O reverendo Giuseppe D´Alonzo, promotor de Justiça da diocese de Roma, estará no papel de "advogado do diabo" no caso.
Embora ele esteja na prática incumbido desta função, o cargo oficial foi extinto por João Paulo 2º em 1983, numa medida para simplificar o processo de canonização.
Indagado sobre o que pensava sobre os esforços para transformar João Paulo 2º em santo, D´Alonzo respondeu que não cabe a ele decidir, apenas "verificar a verdade".
Se apenas um milagre ficar comprovado, o papa poderia ser inicialmente beatificado, aguardando um segundo milagre para a canonização.