28 de junho, 2005 - 15h11 GMT (12h11 Brasília)
Uma terça-feira de violência no Iraque marcou o primeiro aniversário da entrega do poder aos iraquianos por parte do governo americano, com pelo menos 10 mortos em ataques atribuídos a insurgentes.
O deputado iraquiano Dhary al-Fayadh, um integrante importante do Parlamento iraquiano, foi morto em um atentado a bomba em Bagdá.
O ataque, realizado com um carro-bomba dirigido por um militante suicida, também matou seu filho e três guarda-costas que estavam passando pelo norte de Bagdá em um veículo.
Al-Fayadh, com 87 anos de idade, era o mais idoso parlamentar iraquiano. Ele foi o segundo integrante do Parlamento a morrer desde a onda de violência registrada no Iraque desde abril, quando o novo governo tomou posse.
O parlamentar era um influente líder tribal xiita e havia presidido a primeira sessão do novo Parlamento iraquiano antes que fosse escolhido um presidente para a instituição.
Em Musayyib, 70 km ao sul de Bagdá, um militante suicida vestido de policial matou três outras pessoas ao explodir uma bomba em um posto da polícia no interior de um hospital.
Um carro-bomba também explodiu em Kirkuk, no norte do país, matando dois guarda-costas do chefe da polícia de trânsito local, que escapou com vida do ataque.
Estados Unidos
Ainda nesta terça-feira, os Estados Unidos anunciaram que deram início a uma nova ofensiva contra insurgentes no oeste do Iraque – a terceira neste mês.
A Operação Espada, como foi chamada, conta com mil fuzileiros navais apoiados por tropas iraquianas e vai se concentrar na região entre as cidades de Hit e Hadith, segundo o comando militar americano.
Cerca de 140 mil soldados americanos ainda estão no Iraque, um ano após a entrega do poder aos iraquianos.
Nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fará um discurso na TV americana para marcar a data.
Insurgentes
Sobre uma estratégia de aproximação entre americanos e britânicos com insurgentes, o presidente do Iraque, Jalal Talabani, distanciou a sua posição da dos dois países que lideraram a invasão ao Iraque.
"Os líderes iraquianos não têm nada a ver com as negociações com os insurgentes. Se os americanos estão negociando com eles, é problema deles", disse Talabani em uma entrevista coletiva em Bagdá nesta terça-feira.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, afirmou no domingo que os americanos estão procurando alguns militantes que atuam no Iraque para "incluí-los no cenário político".
O mesmo disse na segunda-feira o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, alegando no entanto que tratam-se apenas de "simpatizantes da insurgência" e não os líderes em si.