23 de junho, 2005 - 19h47 GMT (16h47 Brasília)
A coalizão anti-Síria que conquistou maioria no Parlamento do Líbano nas eleições pediu a renúncia do presidente Emile Lahoud.
Eles acusam Lahoud, que tem proximidade com o governo de Damasco, de proteger uma rede responsável por uma série de assassinatos políticos.
Eles dizem que a violência acabaria com a saída de Lahoud.
Autoridades dos Estados Unidos dizem ter "certeza" de que a Síria ainda mantém agentes no Líbano.
No mês passado, a Síria anunciou ter completado a retirada de suas tropas e serviços de inteligência do país vizinho.
O final da ocupação, que durou 29 anos, ocorreu após protestos e pressões internacionais iniciados com o assassinato do ex-premiê libanês Rafik Hariri em fevereiro.
Proteção
As eleições parlamentares, as primeiras após a retirada síria, foram vencidas pela oposição liderada pelo filho de Hariri, Saad Hariri.
"O encontro afirma que o presidente está dando proteção ao sistema de segurança político e é responsável por seus atos", disseram em um comunicado os membros da coalizão anti-Síria nesta quinta-feira.
"A saída do presidente seria o caminho principal rumo ao direito e à Justiça", acrescenta a nota.
Os representantes da coalizão presentes discutiram a formação do novo governo e também a situação de segurança – na terça-feira, um carro-bomba matou em Beirute o ex-líder do Partido Comunista da Síria, George Hawi.
Um ataque parecido em 2 de junho matou o colunista de jornal anti-Síria Samir Kassir.
Saad Hariri disse que o assassinato de Hawi era uma resposta à vitória de sua coalizão nas eleições.
Seu grupo tem incentivado o público a comparecer em grande número ao enterro na sexta-feira e convocou uma greve geral.
Emile Lahoud – cujo mandato presidencial foi prorrogado por três anos em setembro numa medida polêmica – afirmou estar pronto para trabalhar com Saad Hariri caso ele seja nomeado primeiro-ministro.
Ele negou que tenha envolvimento na recente onda de violência.
"Até mesmo meus adversários percebem que não tenho uma só mancha de sangue nas mãos", declarou ele à TV francesa.