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23 de junho, 2005 - 15h27 GMT (12h27 Brasília)

Europa precisa mudar para evitar fracasso, diz Blair

A União Européia (UE) enfrenta uma "crise de liderança política" e precisa mudar para recuperar apoio, disse o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

Em um discurso no Parlamento europeu em Bruxelas, onde apresentou seus planos para os seis meses em que a Grã-Bretanha estará na presidência da UE, Blair afirmou que o bloco vai fracassar em "larga escala" se não se preparar para a globalização.

"Só com mudanças a Europa vai recuperar a sua força, relevância, seu idealismo" e, conseqüentemente, o apoio público, disse ele.

A Grã-Bretanha assume a presidência da UE em julho. O correspondente da BBC Nick Childs afirma que a hostilidade de países como França e Alemanha poderia minar a agenda de reformas britânica.

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, afirmou que é vital que haja um consenso entre os países membros para evitar a paralisia.

Em alusão às acaloradas discussões da semana passada sobre o orçamento durante da cúpula da UE, na semana passada, Durão Barroso observou que a união vive um "momento decisivo".

Impasse

A reunião de cúpula fracassou depois que a Grã-Bretanha se recusou a abrir mão do reembolso de 3 bilhões de libras (cerca de R$ 13 bilhões) que recebe de parte de suas contribuições ao orçamento do bloco.

O governo britânico exigiu que, em contrapartida, fosse revisto também o sistema de subsídios aos produtores agrícolas da UE - o que a França se recusa a fazer.

Os parlamentares responderam com vaias e aplausos quando Blair disse que sempre foi um entusiasmado defensor da integração européia. Ele acrescentou que pretende fortalecer, e não afundar, a UE.

"Este não é o momento para acusar aqueles que querem mudança na Europa de esta traindo a Europa", argumentou o premiê britânico.

"Falso" confronto

Blair afirmou também que o debate sobre o futuro da UE está sendo falsamente apresentado como um confronto entre uma Europa do livre mercado e uma Europa preocupada com questões sociais.

Ele disse não ter planos de enterrar o modelo de bem-estar social europeu, mas perguntou como o continente pode permitir que haja 20 milhões de desempregados.

Blair disse aos deputados do Parlamento europeu que acredita que a Europa ainda não percebeu direito o desafio que enfrenta com a competição de países como China e Índia.

O deputado socialista Martin Schulz disse que a Grã-Bretanha precisa se mostrar disposta a fazer concessões.

Ele pediu a Blair que produza propostas concretas para a redução do reembolso britânico, para que estivesse em melhor posição para pedir a outras nações que tenham seus benefícios cortados.