20 de junho, 2005 - 17h42 GMT (14h42 Brasília)
As autoridades do Irã disseram após uma recontagem parcial de votos nesta segunda-feira que não houve fraude nas eleições presidenciais da semana passada e confirmaram os resultados.
"Após reclamações, o Conselho dos Guardiães autorizou o Ministério do Interior a recontar os votos de algumas urnas. Ficou claro que não houve fraude", disse num comunicado Ahmad Jannati, o líder do Conselho dos Guardiães, órgão conservador com fortes poderes de moderação política.
Ele disse também que o segundo turno será disputado, como previsto, na próxima sexta-feira.
O candidato conservador linha dura e prefeito de Teerã, Mahmoud Ahmadinejad, irá enfrentar novamente o mais votado e favorito, Akbar Hashemi Rafsanjani, ex-presidente do país.
Denúncias reformistas
Vários candidatos reclamaram de irregularidades na votação. Apenas cem urnas de quatro cidades, entre elas da capital, Teerã, foram reabertas para a recontagem.
Segundo a correspondente da BBC em Teerã France Harrison, trata-se de uma pequena amostra do total de votos, que não inclui regiões rurais mais remotas em que é mais fácil fraudar as eleições.
O principal candidato reformista, Mostafa Moin, que ficou em quinto lugar, havia pedido o adiamento do segundo turno até que um inquérito sobre as denúncias seja completado.
Ele e muitos outros reformistas acusam o Conselho dos Guardiães de realizar uma campanha multimilionária para mobilizar 300 mil membros de milícias islâmicas para assegurar a vitória de um conservador linha dura.
Segundo os reformistas, irregularidades foram cometidas para ajudar Ahmadinejad a chegar ao segundo turno.
"Levem a sério o perigo do fascismo", disse Moin. "Essas tentativas rasteiras podem levar ao militarismo, autoritarismo, assim como sufocar política e socialmente o país."