18 de junho, 2005 - 00h35 GMT (21h35 Brasília)
Uma reunião de cúpula da União Européia terminou sem acordo, depois que França e Grã-Bretanha não conseguiram resolver as suas diferenças em relação ao orçamento e ao sistema de subsídios agrícolas do bloco.
O governo britânico rejeitou mudanças no Orçamento de 2007 a 2013 que afetariam o país, exigindo que fosse revisto também o sistema de subsídios aos produtores agrícolas do bloco – algo que a França se recusa a fazer.
Depois do colapso das negociações, o atual presidente da União Européia, o primeiro-ministro de Luxemburgo Jean Claude Juncker, disse que o bloco enfrenta uma "profunda crise".
O fracasso em Bruxelas ocorre apenas semanas depois de franceses e holandeses terem rejeitado nas urnas uma proposta de Constituição européia.
No centro do impasse está a questão do reembolso que a Grã-Bretanha recebe de parte de suas contribuições ao Orçamento.
'Distorção'
O governo britânico anunciou que vetaria qualquer tentativa de mexer neste reembolso, que chega a 4,4 bilhões de euros (R$ 12,8 bilhões) por ano, se não for discutido ao mesmo tempo a reforma dos subsídios.
O primeiro-ministro Tony Blair disse que o reembolso era resultado da "distorção dos gastos dentro da UE".
"Se nós removernos o reembolso, temos que remover as razões da sua existência", disse.
Blair criticou a Política Agrícola Comum (PAC) por desviar recursos que seriam mais bem empregados em áreas como ciência e educação.
Já a França diz que o reembolso é injusto e insustentável. Os franceses rejeitaram um corte em subsídios agrícolas pedido pela Grã-Bretanha.
A Grã-Bretanha deve assumir a presidência rotativa da UE no mês que vem.