13 de junho, 2005 - 15h19 GMT (12h19 Brasília)
A terceira fase das eleições parlamentares do Líbano foi marcada pela grande votação obtida pelo ex-chefe do Exército Michel Aoun, um cristão, que acaba de voltar ao país após anos no exílio.
Segundo os resultados oficiais, Aoun e seus aliados conquistaram 21 das 58 cadeiras que estavam em disputa.
Aoun, que sempre criticou a presença síria no Líbano, havia pedido para que o assunto fosse deixado de lado.
Ele estabeleceu uma candidatura alternativa de oposição, acusando a liderança cristã maronita de corrupção, e aliou-se a candidatos pró-Síria nessas eleições.
Foi a primeira vez em 30 anos que o pleito aconteceu sem as tropas sírias no país.
Sem maioria
Segundo correspondentes da BBC no Líbano, a eleição de Aoun pode impedir que a tradicional oposição anti-Síria cristã obtenha a maioria no Parlamento.
“Eu reconheço que ele venceu”, disse Walid Jumblatt, um dos principais líderes da oposição anti-Síria.
Jumblatt referiu-se a Aoun como “ferramenta dos sírios”.
"Eles o trouxeram de volta para usá-lo como instrumento de tensão entre os cristãos", afirmou Jumblatt.
'Negociar'
Aoun, que no fim dos anos 80 liderou uma campanha para expulsar as tropas sírias, aliou-se a candidatos pró-Síria da comunidade druza.
Ao comentar os primeiros resultados divulgados, Aoun disse que está disposto a negociar com outras facções do novo Parlamento.
Ele disse que vai trabalhar por uma nova legislação eleitoral, pela aprovação do madato parlamentar de quatro anos e pelo fim da corrupção.
Nas duas rodadas eleitorais anteriores, candidatos favoráveis e contrários à ocupação síria conquistaram quase o mesmo número de cadeiras.
Nesta terceira rodada, candidatos apoiados pelo movimento pró-Síria Hezbollah tiveram bom desempenho em regiões muçulmanas xiitas.
O Hizbollah garantiu mais 10 cadeiras no distrito de Baalbek-Hermel, e agora já elegeu 35 dos 128 deputados do Parlamento.
Estima-se que o nível de comparecimento às urnas na terceira rodada das votações – a quarta e última será realizada no mês que vem – tenha ficado em torno de 50%, o mais alto em 15 anos.
Hariri
A Síria foi forçada a retirar suas tropas do Líbano após o assassinato de ex-premiê libanês Rafik Hariri em fevereiro.
O assassinato de Hariri, num atentado a bomba, foi atribuído à Síria, que negou qualquer envolvimento com o ataque.
As eleições deste domingo também representaram uma batalha para a liderança da comunidade cristã.
Os cristãos têm exatamente o mesmo número de assentos do que os muçulmanos, apesar de cristãos representarem menos da metade da população libanesa.
Há vagas também reservadas na mesma quantidade a cada credo religioso, como por exemplo credos seguidos por gregos ortodoxos, muçulmanos sunitas e judeus.
O presidente do Líbano é sempre um cristão maronita, o único líder não-muçulmano de um país no mundo árabe.