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12 de junho, 2005 - 15h58 GMT (12h58 Brasília)

Presidente italiano vota apesar de boicote da Igreja

Vários líderes italianos estão desafiando um pedido da Igreja Católica Apostólica Romana para boicotar um referendo sobre fertilização artificial que começou neste domingo na Itália.

O plebiscito, que pode levar a mudanças na legislação de inseminação artificial, será votado até segunda-feira.

Um dos primeiros eleitores a comparecer aos locais de votação neste domingo foi o presidente da Itália, Carlo Azeglio Ciampi.

O líder da oposição, Romano Prodi, e o vice-primeiro-ministro, Gianfranco Fini, também votaram acompanhados de suas famílias.

Comparecimento

Para que o referendo seja validado é preciso que pelo menos 50% dos eleitores compareçam às urnas entre domingo e segunda-feira.

Quatro horas após a abertura dos locais de votação, apenas 4,6% tinham votado.

Com o referendo, os italianos poderão dizer se aprovam ou não propostas de emendas à lei de inseminação artificial, considerada muito rígida por alguns especialistas italianos.

Muitos casais, que se submetem a tratamento de fertilização artificial, tiveram que sair da Itália para procurar ajuda médica no exterior.

Liberal

As restrições incluem a probição de doação de esperma ou óvulos, de pesquisas científicas com embriões, de ultra-sonografia em embriões de casais com doenças hereditárias e, por último, um limite de criação de apenas três embriões por tratamento, e todos os três precisam ser implatados no útero ao mesmo tempo.

A lei foi aprovada em 2004 após alguns políticos terem expressado preocupações com a possibilidade de a Itália se tornar um dos países mais liberais em respeito à inseminação artificial.

Até o momento, não havia no país regulamentos sobre bioética, e mulheres de 60 anos estavam sendo encorajadas a engravidar.

O correspondente da BBC em Roma, David Willey, disse que agora a legislação mudou para o outro extremo.

Willey diz que a Igreja Católica quer que a lei seja mantida.

Vários bispos, apoiados pelo papa Bento 16, pediram aos italianos que boicotem a votação por razões morais.

As cidades da Itália estão cheias de cartazes pedindo a católicos que se afastem dos locais de votação.

Muitos eleitores, no entanto, dizem que estão irritados com a interferência da Igreja no processo democrático.

As relações da Igreja Católica com o Estado na Itália estão atravessando um de seus maiores desafios desde a legalização do divórcio e do aborto em 1970, diz David Willey.