09 de junho, 2005 - 11h48 GMT (08h48 Brasília)
Os Estados Unidos poderão apoiar a reeleição de Mohammed El-Baradei para a chefia da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) se ele se comprometer a adotar uma postura mais dura em relação ao programa nuclear do Irã.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, deve se reunir com o egípcio nesta quinta-feira, para discutir os termos de um possível acordo.
O governo do presidente George W. Bush havia pedido que Baradei deixasse a chefia da agência da ONU ao fim de seu segundo mandato, neste ano.
Os Estados Unidos são o único país que se opõe à reeleição de Baradei para um terceiro mandato à frente da AIEA.
Irã e Iraque
Os Estados Unidos retiraram o apoio a Baradei por causa do Iraque e do Irã.
Rice não chegou a elogiar Baradei, mas afirmou que os Estados Unidos e o chefe da agência nuclear da ONU trabalharam bem no passado.
O encontro desta quinta-feira entre Rice e Baradei está sendo visto como uma entrevista de emprego, já que o egípcio é o único candidato ao cargo que ocupa desde 1997.
Condoleezza Rice deixou bem claro que o apoio americano vai depender de um acordo sobre a posição da agência em relação ao Irã.
Os Estados Unidos querem que Baradei denuncie o Irã ao Conselho de Segurança da ONU por tentar esconder suas atividades nucleares.
Baradei já disse que ainda não há provas claras de que o Irã esteja, realmente, desenvolvendo armas nucleares.
Mas, recentemente, ele ressaltou que agora cabe ao Irã dissipar as dúvidas sobre seu programa "através de medidas de absoluta transparência e cooperação com a AIEA".
A agência já avisou que não vai fazer acordo apenas para assegurar a posição de Baradei.
Mas o anúncio dele de que na semana que vem vai apresentar um relatório sobre o progresso dos dois últimos anos de investigações do programa nuclear do Irã foi visto por analistas como uma tentativa de conquistar a simpatia americana.
O novo chefe da AIEA deve ser escolhido em uma reunião da agência na próxima segunda-feira.