08 de junho, 2005 - 00h15 GMT (21h15 Brasília)
O general Augusto Pinochet pode ser processado por evasão fiscal, mas não por supostas violações de direitos humanos cometidas quando ele era o presidente do Chile, de 1973 a 1990, de acordo com o tribunal de apelações do país.
A corte suspendeu nesta terça-feira a imunidade legal de Pinochet.
Ele passou a ser acusado após a descoberta de contas bancárias que mantinha secretamente nos Estados Unidos.
O tribunal decidiu que Pinochet, de 89 anos, não está em condições físicas boas o suficiente para ser processado pela Operação Condor - uma campanha conjunta de seis países sul-americanos para perseguir e matar adversários do governo.
Sangue
O advogado Eduardo Contreras, ativista de direitos humanos, disse que a decisão indica que, no Chile, dinheiro é mais importante do que sangue.
Pinochet é acusado de manter contas avaliadas em cerca de US$ 17 milhões (mais de R$ 40 milhões) fora do Chile.
De acordo com a agência de notícias Reuters, o general já teve sua imunidade suspensa outras duas vezes em processos em que é acusado de cometer violações de direitos humanos no período em que governou o Chile (1973-1990).
No entanto, a lei chilena exige que a suspensão da imunidade seja avaliada individualmente em cada processo.
O Senado americano revelou no dia 15 de março que o ex-ditador chileno possui 125 contas bancárias secretas, o que permitiria que movimentasse pelo menos US$ 13 milhões.
A defesa de Pinochet deve apelar da decisão desta terça-feira, como já fez nas outras vezes. Os advogados do ex-presidente dizem que todo o dinheiro foi ganho honestamente.
Eles estão negociando com a Receita Federal chilena o pagamento de cerca de US$ 5 milhões de impostos atrasados.
Correspondentes acreditam que as acusações de fraude seriam mais danosas a sua reputação do que as de direitos humanos, porque seus simpatizantes sempre defenderam a imagem de Pinochet como sendo um soldado altruísta que defendia o país contra o socialismo.