07 de junho, 2005 - 02h24 GMT (23h24 Brasília)
O presidente da Bolívia, Carlos Mesa, anunciou sua renúncia, depois de um dia de protestos em La Paz nos quais os manifestantes pediam reformas constitucionais e a nacionalização do setor de energia.
Sua decisão terá que ser aprovada pelo Congresso.
Durante a tarde desta segunda-feira, em meio à tensão crescente no país, a polícia usou gás lacrimogêneo durante choques com manifestantes perto do palácio presidencial.
Para se proteger da violência, Mesa teve que deixar o prédio.
Violência
No maior protesto das últimas semanas, dezenas de milhares de manifestantes ocuparam as ruas de La Paz, incluindo mineradores, professores e plantadores de cacau.
A multidão lotou a Praça de San Francisco, no centro da capital, onde fica o Palácio do Governo e o Congresso.
As lojas fecharam e, segundo um correspondente da BBC na cidade, o clima ficou violento – um vendedor ambulante foi agredido por abrir sua barraca e homens de negócios foram ameaçados.
Combustíveis
Uma greve paralisou o sistema de transportes na cidade - que estava já praticamente sem funcionar há vários dias devido à falta de combustível, provocada por bloqueios nas estradas.
A Igreja Católica tem atuado como mediadora na crise. Ela propôs que as eleições presidenciais fossem antecipadas em dois anos.
Mas os manifestantes de recusaram a atender um pedido da Igreja para que voltassem às suas casas e suspendessem os protestos.
O principal líder da oposição, Evo Morales, tinha pedido nesta segunda-feira a renúncia de Mesa – que assumiu após uma crise ter derrubado seu antecessor em 2003 – e dos presidentes do Senado e da Câmara.
Constituinte
Morales defende que o presidente da Suprema Corte assuma temporariamente o comando do país e convoque eleições gerais antecipadas.
Os manifestantes prometem continuar nas ruas até a nacionalização do setor energético - o gás natural é dos principais recursos naturais bolivianos - e a eleição de uma assembléia para reformular a Constituição.
Na semana passada, Mesa apresentou planos para convocar uma nova Constituinte.
Além das questões relativas à exploração do gás natural, o governo ainda tem de lidar com pressões das Províncias mais ricas do país por uma maior autonomia com relação ao poder central.