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06 de junho, 2005 - 19h06 GMT (16h06 Brasília)

Dezenas de milhares protestam nas ruas de La Paz

Dezenas de milhares de manifestantes ocupam nesta segunda-feira as ruas da capital da Bolívia, La Paz, em um protesto contra o governo e a favor da nacionalização da indústria de energia.

A manifestação, convocadas por grupos de esquerda como o Movimento ao Socialismo (MAS), pode ser a maior desde o início desta crise, há cerca de três semanas.

A multidão lotou a Praça de San Francisco, no centro da capital, onde fica o Palácio do Governo e o Congresso.

As lojas fecharam e, segundo um correspondente da BBC na cidade, o clima começa a ficar violento – um vendedor ambulante foi agredido por abrir sua barraca e homens de negócios foram ameaçados.

Combustíveis

Uma greve paralisou o sistema de transportes na cidade - que estava já praticamente sem funcionar há vários dias devido à falta de combustível na cidade, provocada por bloqueios nas estradas.

A Igreja Católica tem atuado como mediadora na crise, discutindo com o presidente Carlos Mesa e os líderes do Legislativo e do Judiciário possíveis soluções para o impasse.

Mas os manifestantes de recusaram a atender um pedido da Igreja para que voltassem às suas casas e suspendessem os protestos.

O principal líder da oposição, Evo Morales, pediu nesta segunda-feira a renúncia de Mesa – que assumiu após uma crise ter derrubado seu antecessor em 2003 – e dos presidentes do Senado e da Câmara.

Constituinte

Morales defende que o presidente da Suprema Corte assuma temporariamente o comando do país e convoque eleições gerais antecipadas.

Os manifestantes prometem continuar nas ruas até a nacionalização do setor energético - o gás natural é dos principais recursos naturais bolivianos - e a eleição de uma assembléia para reformular a Constituição.

Na semana passada, o presidente Mesa apresentou planos para convocar uma nova Constituinte.

Além das questões relativas à exploração do gás natural, o governo ainda tem de lidar com pressões das Províncias mais ricas do país por uma maior autonomia com relação ao poder central.