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03 de junho, 2005 - 13h37 GMT (10h37 Brasília)

Ajuda à África divide EUA e Grã-Bretanha

O Ministro das Finanças britânico, Gordon Brown, divulgou detalhes de uma estratégia para a erradicação da pobreza na África, que cobra um esforço maior dos países ricos, em especial dos Estados Unidos.

O plano enfrenta a oposição dos Estados Unidos e deve ser motivo de discórdia na semana que vem, quando o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, tem uma reunião em Washington com o presidente americano, George W. Bush.

Na sua proposta, Brown sugere o cancelamento de 100% da dívida externa de países pobres, dizendo que este não é um momento de “timidez”, para que se consiga cumprir as metas para a erradicação da pobreza em 2015, como determinado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Mas Bush, nesta quinta-feira, disse que uma parte fundamental do plano britânico não se adequa ao orçamento dos Estados Unidos.

"Plano Marshall"

A resistência americana, compartilhada por Itália, Alemanha e Japão, é quanto ao uso das reservas de ouro do Fundo Monetário Internacional (FMI) para financiar o cancelamento de dívidas.

As idéias de Brown devem ser apresentadas a outros líderes do G-8, grupo dos países mais industrializados do mundo, no encontro marcado para o próximo mês na Escócia.

Além do cancelamento da dívida, o britânico quer criar um órgão para financiar programas de imunização contra a Aids e dobrar a quantidade da ajuda financeira dada ao continente.

Segundo o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, o americano estaria buscando outros meios para fundar uma espécie de “plano Marshall” para o continente – numa alusão à iniciativa americana para ajudar os países europeus a se recuperar depois da Segunda Guerra Mundial.

“O que o presidente Bush nos disse foi ‘diga-me qual é a meta (financeira), mas deixe a meu critério os métodos para que a alcancemos.”

“Ele não disse que se tratava de muito dinheiro”, afirmou.

Gordon Brown disse que, apesar da discórdia, tanto a Grã-Bretanha como os EUA concordam em “assegurar o cancelamento da dívida” e afirmou acreditar que um acordo será fechado em um futuro próximo.