03 de junho, 2005 - 00h34 GMT (21h34 Brasília)
A oposição libanesa pediu a renúncia do presidente Emile Lahoud, depois de culpá-lo, e às forças de segurança libanesas, pela morte de um jornalista proeminente com opiniões contrárias à influência síria no país.
Segundo líderes oposicionistas, Lahoud, que tem uma posição pró-Síria, deve deixar o poder porque ele é, na prática, o chefe do aparato de inteligência e segurança do Líbano.
O jornalista, Samir Qasir, do jornal Al-Nahar, foi morto na quinta-feira em um atentado a bomba diante de sua casa em um distrito cristão da capital libanesa, Beirute.
O gabinete da Presidência disse que o assassinato foi um incidente grave.
A morte do jornalista ocorre poucos dias depois da primeira etapa das eleições parlamentares no Líbano.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse em Washington que o assassinato teve o objetivo de intimidar os eleitores libaneses, mas que isso vai fracassar.
Milhares de pessoas em Beirute se reuniram para uma vigília à luz de velas em homenagem a Qasir.
A Síria rejeitou as acusações da oposição de que teve algo a ver com a morte de Qasir - no que é o assassinato de maior impacto no Líbano desde que uma bomba tirou a vida do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, no dia 14 de fevereiro.
A morte de Hariri lançou o país em sua mais grave crise política desde a guerra de 1975-1990, provocando grandes manifestações populares e pressão internacional que levou a Síria a encerrar 29 anos de presença militar no Líbano em abril.
Desde então, uma série de explosões atingiu áreas cristãs de Beirute, matando três pessoas.
O Líbano está vivendo uma polêmica eleição parlamentar, que começou em 29 de maio e deve terminar em 19 de junho – são quatro rodadas de votação.
"O regime sírio-libanês ainda está vigorando. Ninguém pode nos dizer que esse regime foi eliminado", disse Solange Gemayel, uma das parlamentares anti-Síria eleitas na primeira rodada.